MANAUS (AM) – A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) divulgou, por meio do Programa de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA), o vídeo documentário da dissertação de mestrado da jornalista Paula Litaiff, que trata da resistência de mulheres indígenas Kokama no Parque das Tribos, na zona Centro-Oeste de Manaus.

O trabalho, intitulado “A luta pela conquista do poder feminino no Parque das Tribos: o corpo da mulher indígena como território de resistência”, foi defendido no dia 3 de junho de 2025 e aprovado pela banca examinadora. A pesquisa investiga como as lideranças femininas da comunidade enfrentam diferentes formas de violência — política, simbólica e de gênero — em contexto urbano.
Durante a apresentação, foi exibido um vídeo produzido com base na pesquisa de campo realizada entre 2022 e 2025. No material, lideranças como a cacica-geral Lutana Kokama relatam episódios de opressão e resistência vividos no território indígena urbano, considerado o maior da capital amazonense.
A banca avaliadora foi composta pelas professoras Iraildes Caldas Torres, Ivânia Maria Carneiro Vieira e Marilene Corrêa da Silva Freitas. A defesa ocorreu no auditório Rio Negro, do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), da Ufam.
Segundo a professora Iraildes Torres, orientadora do trabalho, a pesquisa se destaca pela originalidade do tema e pela abordagem politicamente engajada. “Ainda não havia, no meio acadêmico local, um estudo aprofundado sobre a mulher Kokama nas dimensões propostas pela autora”, afirmou a docente.

O vídeo apresentado inclui depoimentos de Lutana Kokama, fundadora do Parque das Tribos ao lado do cacique Messias Kokama (falecido em 2020), e de outras lideranças. Em uma das falas, Lutana relembra um episódio em que precisou se despir completamente diante de oficiais de Justiça e policiais, a fim de “provar” sua identidade indígena. A situação, segundo a pesquisadora Paula Litaiff, revela a intersecção entre discriminação racial e violência de gênero.
Além da presença das lideranças locais, a defesa contou com a participação da escritora e professora indígena Eliane Potiguara, que esteve em Manaus especialmente para o evento. Eliane destacou que o tema contribui para dar visibilidade às violações históricas sofridas por mulheres indígenas no Brasil.

A artesã Maira Mura, liderança do povo Mura e moradora do Parque das Tribos, também esteve presente e afirmou que a pesquisa ultrapassa os limites acadêmicos, funcionando como uma denúncia. “Isso pode alcançar os órgãos responsáveis e trazer mudanças. As mulheres indígenas precisam ser vistas”, declarou.
O vídeo está disponível no canal oficial do PPGSCA/Ufam no YouTube.