Resposta da Rússia e China aos ataques dos EUA às instalações nucleares do Irã em 2025

Rússia e China condenam ataques dos EUA às instalações nucleares do Irã e alertam para escalada de tensões no Oriente Médio.
Redação Imediato Online
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Os governos da Rússia e da China emitiram fortes condenações aos ataques dos Estados Unidos contra três instalações nucleares iranianas (Fordow, Natanz e Isfahan) realizados em 21 de junho de 2025, classificando a ação como uma violação do direito internacional e um fator de escalada de tensões no Oriente Médio. A seguir, um resumo detalhado das posições de ambos os países, com base nos comunicados oficiais e no contexto do conflito.

Posição da Rússia

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia descreveu os ataques como “irresponsáveis” e uma “grave violação” da Carta das Nações Unidas, do direito internacional e das resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Em comunicado, a chancelaria russa destacou:

  • Crítica ao status dos EUA: “É especialmente alarmante que os ataques tenham sido realizados por um país membro permanente do Conselho de Segurança da ONU”, referindo-se ao papel dos EUA como um dos cinco membros com poder de veto.
  • Demanda por ação da AIEA: A Rússia exigiu uma “avaliação imediata” da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que monitorava o programa nuclear iraniano, e cobrou uma resposta “honesta” sobre os danos causados.
  • Condenação à escalada: O ministério classificou a ação como uma “decisão perigosa” que agrava o conflito entre Israel e Irã, iniciado com ataques israelenses em 13 de junho de 2025.

O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, foi além, afirmando em postagens nas redes sociais que os ataques tiveram “danos mínimos” às instalações nucleares iranianas e que “vários países” estariam prontos para fornecer ogivas nucleares ao Irã, embora sem especificar quais nações. Medvedev também criticou o presidente Donald Trump, dizendo que ele “iniciou uma nova guerra” em vez de cumprir sua promessa de ser um “presidente da paz”.

Além disso, o presidente Vladimir Putin se reuniu com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em Moscou no dia 23 de junho, reforçando o apoio russo a Teerã. Putin condenou os ataques dos EUA e assegurou que o Irã pode contar com a Rússia como parceira estratégica. Araghchi agradeceu, destacando a “história correta” da Rússia no conflito e a colaboração em projetos como a usina nuclear de Bushehr.

Posição da China

O Ministério das Relações Exteriores da China emitiu uma nota igualmente crítica, afirmando que os ataques dos EUA “exacerbaram as tensões no Oriente Médio” e violaram a Carta da ONU e o direito internacional. O comunicado chinês incluiu:

  • Apelo por cessar-fogo: A China pediu que todas as partes, “especialmente Israel”, implementem um cessar-fogo imediato, garantam a segurança dos civis e iniciem diálogos diplomáticos.
  • Defesa da estabilidade regional: A nota destacou a disposição da China para “trabalhar com a comunidade internacional” para restaurar a paz e estabilidade no Oriente Médio.
  • Crítica à credibilidade dos EUA: Durante uma coletiva de imprensa em 23 de junho, o porta-voz Guo Jiakun afirmou que os ataques “danificaram a credibilidade de Washington” e que atacar instalações sob supervisão da AIEA foi uma “séria violação”. Guo também informou que 3.125 cidadãos chineses, incluindo residentes de Hong Kong e Taiwan, foram evacuados do Irã, e mais de 500 foram retirados de Israel.

A China expressou preocupação com o risco de o conflito “sair do controle”, especialmente devido à possibilidade de o Irã fechar o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 5,4 milhões de barris de petróleo diários, representando metade das importações chinesas de petróleo no primeiro trimestre de 2025. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegou a sugerir que a China pressionasse o Irã para evitar o fechamento do estreito, destacando a dependência chinesa dessa rota.

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