Manaus – Uma pergunta feita pela comentarista Eliane Cantanhêde, da GloboNews, durante uma transmissão ao vivo no sábado (20), gerou grande repercussão nas redes sociais e provocou uma resposta direta do major Rafael Rozenszajn, porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), nascido no Brasil.
Durante o programa, Cantanhêde questionou o correspondente da emissora em Nova York, Jorge Pontual, sobre o motivo de os mísseis disparados pelo Irã contra Israel causarem poucas vítimas civis. A forma como ela conduziu a pergunta foi duramente criticada. “Por que os mísseis que saem do Irã e caem em Israel não matam ninguém? Tem somente uma mortezinha daqui, outra dali”, disse a comentarista, no trecho que viralizou nas redes.
A declaração provocou reação imediata de internautas e autoridades israelenses. No domingo (21), o major Rafael Rozenszajn gravou um vídeo, diretamente da cidade de Ness Ziona, em Israel — onde um dos mísseis iranianos caiu horas antes — para rebater a colocação da jornalista.
“Porque nós priorizamos a vida dos nossos civis”, afirmou o oficial. Rozenszajn destacou que, enquanto os inimigos investem em armas, túneis e estruturas militares sem se preocupar com a população, Israel direciona recursos para a proteção da população civil, com investimentos em sistemas de defesa aérea, abrigos subterrâneos e infraestrutura hospitalar.
O major também revelou que mais de 500 mísseis balísticos foram lançados contra Israel em uma única semana, e que menos de 10% deles conseguiram atingir o território, graças aos sistemas de defesa como o Domo de Ferro.
Antes do episódio, Rozenszajn já havia criticado a GloboNews nas redes sociais, afirmando que, apesar de diversas entrevistas concedidas a veículos brasileiros desde o início do conflito, a emissora havia cancelado, por diversas vezes, participações previamente agendadas com ele.
Após a repercussão negativa, Eliane Cantanhêde publicou dois esclarecimentos na plataforma X (antigo Twitter). Na primeira postagem, ainda no sábado à noite, a comentarista afirmou que não é antissemita e que sua intenção era buscar informações técnicas sobre os sistemas de defesa de Israel e a capacidade dos mísseis iranianos.
Horas depois, Cantanhêde voltou a se pronunciar, admitindo que se expressou de forma inadequada e reconhecendo que sua fala deu margem a interpretações erradas. Ela pediu desculpas e reforçou que sua pergunta tinha caráter técnico.
O caso reacendeu discussões sobre responsabilidade na comunicação, principalmente em momentos de conflitos internacionais, onde o cuidado com as palavras pode evitar interpretações equivocadas e polêmicas desnecessárias.
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