Miami-Dade (EUA) – A Justiça do Estado da Flórida tomou uma medida decisiva no caso do espólio de José Ferreira de Oliveira, fundador do Grupo Chibatão, falecido em 2023, nomeando oficialmente um curador para administrar e investigar os bens do falecido localizados em solo americano. A decisão, emitida em 19 de junho de 2025, vem na esteira de denúncias graves apuradas pela Polícia do Brasil. A curadoria foi nomeada após falhas e omissões da representante no Brasil.
A advogada Erisvanha Ramos de Souza, que se apresenta como representante da herança no Brasil, não foi reconhecida como inventariante pelo tribunal da Flórida. A decisão da Justiça americana deixa claro que, diante de documentos que apresentam falta de idoneidade e da ausência de transparência, foi necessário nomear um curador independente, para preservar os interesses legais do espólio nos EUA.
Segundo a ordem judicial, a nomeação se deu porque houve um “atraso injustificado” na definição de um representante legal qualificado para o espólio na Flórida — situação que pode ter colocado o patrimônio do falecido em risco. Segundo documentos obtidos, a justiça impõe controle total sobre bens nos EUA.
O curador nomeado terá poder para localizar e proteger os ativos, realizar avaliações fiscais; atuar judicialmente, se necessário; e principalmente: gerenciar os bens sob total supervisão do tribunal.
Investigação brasileira foi determinante
Fontes apontam que a decisão do tribunal norte-americano foi motivada pelas informações enviadas pelas autoridades policiais do Brasil, que apuram irregularidades patrimoniais, suspeitas de lavagem de dinheiros e movimentações suspeitas de ativos vinculados a advogada Erisvanha Ramos de Souza.
Documentos obtidos pelo tribunal americano revelam que a advogada Erisvanha alterou documentos e nomeou sua própria filha, Isabele Oliveira Simões, como diretora da empresa do espólio nos EUA, sem qualquer consentimento ou autorização judicial americana, o que por si só já representa uma infração grave em processos de sucessão internacional.
Mais alarmante ainda: no mesmo dia da nomeação, a empresária Isabele Oliveira Simões iniciou um movimento de esvaziamento de capital da empresa, vendendo três bens pertencentes à companhia, que somaram o valor de aproximadamente quase 1 milhão de reais (R$ 837 mil em conversão direta). Essa operação levanta fortes suspeitas e afrontando a legislação vigente dos Estados Unidos.
A conduta de representantes como Erisvanha Ramos de Souza está agora sob olhar atento da Justiça dos EUA, que não hesitou em remover qualquer possibilidade de sua atuação direta na administração da empresa e bens americanos.
A corte determinou recursos bloqueados e supervisão total de todos os valores, inclusive aqueles oriundos de eventuais vendas de ativos, deverão ser depositados em conta judicial congelada, e só poderão ser movimentados mediante ordem expressa do tribunal.