Moradores do bairro Jorge Teixeira, segunda etapa, zona Leste de Manaus, denunciam a transformação de um terreno baldio na Rua São Pedro em uma lixeira viciada, acumulando lixo, mato e causando prejuízos à comunidade. A denúncia, recebida pelo Imediato Online via Disque Denúncia, foi destaque em uma live conduzida pela jornalista Natália Garcia, com imagens de Jonathan Reis, que revelou o drama da moradora Vera, obrigada a construir uma contenção particular para impedir que o lixo invadisse a rua. A situação, agravada por alagamentos, infestação de animais e doenças, reflete o descaso do proprietário do terreno e a ausência de fiscalização da Prefeitura de Manaus.
Relato da Moradora
Vera, residente há três anos na Rua São Pedro, descreveu a luta diária contra o acúmulo de lixo no terreno baldio em frente à sua casa. Segundo ela, o local atrai ratos, baratas, cobras e até animais mortos, como gatos e cachorros, gerando um odor insuportável que impede refeições normais. “É horrível. Não consigo comer com tanta catinga de podre. Minha casa está coberta de mato e bichos”, relatou. Sua mãe, de 88 anos, com diabetes e hipertensão, vive em condições insalubres, e Vera já registrou um caso de dengue na família devido ao lixo.
O terreno, segundo Vera, pertence a um proprietário que mora nas proximidades, mas ele nega responsabilidade, alegando que vendeu o lote ou que pertence a seu filho. “Falo com ele, mas ele é ignorante, estúpido. O filho diz que não é dele, a filha diz que foi vendido. Ninguém faz nada”, desabafou. A moradora arcou com custos para construir uma contenção e evitar que o lixo tomasse a rua, mas alagamentos frequentes, causados pelo entulho, já danificaram sua casa, destruindo móveis e deixando um cheiro fétido que persiste por semanas.
Impactos na Comunidade
A lixeira viciada não afeta apenas Vera. O acúmulo de lixo no terreno baldio, combinado com uma vala no cruzamento da Rua São Pedro, dificulta o tráfego de carros e motos, danificando o asfalto. “O lixo tomava a rua inteira, não passava nem moto. Os carros batiam porque só tinha um buraco para passar”, disse Vera. Moradores relatam que o terreno, sem cercamento ou manutenção, tornou-se ponto de despejo irregular, com buchos de peixe, resíduos orgânicos e entulho jogados pela própria comunidade.
O problema reflete um padrão no Jorge Teixeira. Em setembro de 2024, o Portal do Holanda noticiou um incêndio em uma lixeira viciada na Rua Preciosa, também na zona Leste, causado pelo acúmulo de lixo em área de mata, evidenciando a falta de coleta regular e fiscalização. A Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), responsável pela gestão de resíduos, enfrenta críticas por não coibir o despejo irregular em terrenos baldios, prática comum em Manaus devido à extensão de áreas não urbanizadas.
Responsabilidade do Proprietário
A Lei Municipal 2.414/2019, que regula o uso do solo em Manaus, determina que proprietários de terrenos baldios devem mantê-los limpos, cercados e sem mato, sob pena de multa pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). O Código de Posturas Municipais (Lei 005/1992) prevê notificações e sanções de R$ 500 a R$ 5 mil por descumprimento, mas moradores afirmam que a fiscalização é inexistente. Vera tentou contato com o suposto dono, mas a falta de clareza sobre a propriedade impede soluções.
O Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) pode exigir a regularização do lote, mas não há registro de ações no Jorge Teixeira em 2025. A Semmas, em 2024, notificou 1.200 terrenos baldios em Manaus, aplicando R$ 1,8 milhão em multas, mas a zona Leste, com alta densidade de lotes abandonados, segue vulnerável. A prefeitura também oferece o programa Manaus Mais Limpa, com disque-entulho (0800-092-6356), mas moradores desconhecem o serviço.