A feira itinerante do bairro Aparecida, realizada na Rua Monsenhor Coutinho, zona Sul de Manaus, foi palco de protestos dos permissionários na última sexta-feira (13) devido ao descaso da Prefeitura de Manaus na montagem das barracas. Feirantes denunciaram que a empresa contratada para instalar as estruturas não compareceu por falta de pagamento, obrigando os próprios trabalhadores a montar tendas improvisadas, trazendo lonas e suportes de casa. A situação, relatada em uma live do site Imediato Online, expõe a precariedade das condições de trabalho e o descumprimento de promessas feitas pelo prefeito David Almeida antes das eleições de 2024.
Denúncias dos Feirantes
A feira, que funciona semanalmente em diferentes pontos da cidade, incluindo Aparecida, é tradicional há mais de 50 anos e oferece produtos como frutas, verduras, carnes, peixes, roupas e café da manhã. Segundo os permissionários, a Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc) não pagou a empresa responsável pela montagem das barracas desde outubro de 2024, antes do segundo turno das eleições municipais. As denúncias incluem:
- Falta de pagamento à empresa contratada: Feirantes, como Douglas, afirmaram que a prefeitura alugou barracas em setembro de 2024 para “fazer marketing eleitoral”, mas a empresa terceirizada, sem receber desde novembro, abandonou o serviço. “A empresa não monta porque não recebe. Eles desmontaram e ameaçaram levar as barracas embora”, disse Douglas.
- Estruturas precárias: As barracas fornecidas são inadequadas, com lonas rasgadas e sem parafusos, exigindo que feirantes usem cordas e fios comprados do próprio bolso para fixá-las. Gleice, presidente da feira, destacou: “Compro cordas para amarrar as bancas. Se não faço isso, as mercadorias caem.”
- Improviso dos feirantes: Permissionários como José da Silva, Rebecca e Lourival relataram trazer lonas e estruturas de casa, arcando com custos de transporte (até R$ 100 em gasolina) e atrasando as vendas. Lourival, vendedor de temperos, chegou às 4h30 e só começou a montar às 8h, perdendo horas de trabalho.
- Falta de comunicação: Não houve aviso prévio sobre a ausência da empresa montadora, nem reuniões com a Semacc. Rebecca criticou: “Não avisaram nada. Chegamos e estava tudo bagunçado. Somos deixados à própria sorte.”
- Promessas não cumpridas: O prefeito prometeu padronizar a feira em setembro de 2024, mas as bancas entregues são comparadas a “mesas de pingue-pongue” por feirantes como uma permissionária não identificada, que reclamou da falta de espaço e qualidade.
- Medo de retaliação: Muitos feirantes evitaram falar on the record, temendo represálias da prefeitura, como perda de licenças. Gleice reforçou: “A imprensa é nosso único recurso.”
Contexto e Reivindicações
A feira itinerante, gerida pela Semacc, é essencial para mais de 2 mil famílias, segundo feirantes, mas enfrenta problemas crônicos de infraestrutura. Em 2024, a prefeitura anunciou a revitalização de feiras livres, incluindo a entrega de 500 barracas e a criação do Mercado Municipal de Produtos Regionais, com investimento de R$ 5 milhões, segundo o Portal da Transparência de Manaus. No entanto, feirantes afirmam que as promessas ficaram no papel.
Reivindicações dos permissionários:
- Pagamento imediato à empresa terceirizada para retomar a montagem profissional.
- Substituição das barracas precárias por estruturas adequadas, com proteção contra chuva.
- Comunicação transparente com a Semacc, incluindo reuniões regulares.
- Fiscalização para evitar retaliações contra feirantes que denunciam irregularidades.
- Cumprimento das promessas de padronização feitas em 2024.
Douglas apelou diretamente ao prefeito: “David Almeida, olhe para os pais de família! O senhor fez promessas, mas é mentiroso. Cadê o compromisso com os feirantes que votaram no senhor?”