Um áudio extraído do celular de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, traz novos elementos à investigação sobre supostas articulações para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na gravação, Cid relata que o então presidente Bolsonaro, ainda em novembro de 2022, rejeitou qualquer reação contundente contra o resultado das urnas.
Segundo o áudio, Bolsonaro descartou sugestões baseadas no artigo 142 da Constituição, não pressionou militares, nem apoiou empresários que pediam medidas duras contra a vitória de Lula. De acordo com o relato de Cid, o ex-presidente teria dito que o governo petista “vai cair de podre” e orientou que deixassem os relatórios das Forças Armadas seguirem “sem interferência”.
A gravação reforça a tese da defesa de Bolsonaro, que nega qualquer participação em tentativas de golpe e sustenta que o ex-presidente atuou para evitar uma escalada institucional. O conteúdo também confronta parte das suspeitas levantadas nas investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Apesar disso, o áudio ainda será analisado em conjunto com outros elementos já coletados, como mensagens, depoimentos e movimentações políticas da época. Até o momento, a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal não se manifestaram oficialmente sobre o impacto da nova prova.