Deputada republicana cita Alexandre de Moraes e apoia restrições de visto do Governo Trump

Deputada republicana americana apoia restrições de visto a autoridades estrangeiras acusadas de censurar cidadãos dos EUA.
Redação Imediato Online
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A deputada americana Maria Elvira Salazar, do Partido Republicano, usou as redes sociais na quarta-feira (28) para comentar a decisão do governo de Donald Trump de impor restrições de visto a autoridades estrangeiras que pratiquem censura contra cidadãos ou empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Em sua publicação, Salazar citou nominalmente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, chamando-o de “simpatizante autoritário” e alertando que a medida serve como um “aviso aos tiranos do mundo”.

Contexto da Declaração

A decisão foi anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que destacou a intenção de punir autoridades internacionais envolvidas em “ações flagrantes de censura” contra americanos, incluindo empresas como a X Corp, de Elon Musk. Embora Rubio não tenha citado Moraes diretamente, Salazar associou a medida ao ministro brasileiro, reforçando críticas feitas por ela e outros republicanos ao longo de 2024, especialmente após a suspensão da plataforma X no Brasil, ordenada por Moraes em agosto de 2024.

Em sua postagem, Salazar afirmou: “Apoio totalmente a decisão do secretário Marco Rubio de negar vistos dos EUA a autoridades estrangeiras que silenciam americanos no exterior. Que isso sirva de aviso aos tiranos do mundo todo e aos simpatizantes autoritários como o brasileiro Alexandre de Moraes: se você tentar censurar cidadãos americanos, mesmo além de nossas fronteiras, você não será bem-vindo nos Estados Unidos. A liberdade de expressão é sagrada e nós a defenderemos em todos os lugares.”

Histórico de Críticas

Maria Elvira Salazar, reeleita pela Flórida e presidente do Subcomitê do Hemisfério Ocidental na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos EUA, tem liderado uma ofensiva contra Moraes. Em 2024, ela apresentou o projeto de lei “No Censors on Our Shores Act”, que proíbe a entrada de autoridades estrangeiras acusadas de violar a liberdade de expressão de cidadãos americanos, citando Moraes como um exemplo por sua decisão de suspender o X no Brasil. Em maio de 2024, durante uma audiência no Congresso, Salazar exibiu uma foto de Moraes, chamando-o de “operador totalitário” e criticando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “condenado por corrupção”.

A deputada também assinou, ao lado de outros quatro parlamentares republicanos, uma carta ao então secretário de Estado Antony Blinken, em setembro de 2024, pedindo a revogação de vistos de Moraes e outros ministros do STF, acusando-os de práticas antidemocráticas. Em março de 2025, Salazar e o deputado Rich McCormick enviaram outra carta a Trump, solicitando a aplicação da Lei Magnitsky, que prevê sanções como congelamento de contas e proibição de entrada nos EUA, contra Moraes, alegando que ele representa uma “ameaça crescente” aos interesses americanos.

Reações no Brasil

A ofensiva de Salazar e outros republicanos, apoiada por aliados de Jair Bolsonaro, como o deputado Eduardo Bolsonaro, gerou reações no Brasil. O Itamaraty, sob o comando do ministro Mauro Vieira, busca diálogo com o governo Trump para evitar a escalada do conflito, mas enfrenta resistência, já que Rubio não incluiu o Brasil em contatos diplomáticos recentes. O ministro do STF Gilmar Mendes criticou a interferência de “agentes estrangeiros” na jurisdição brasileira, enquanto a ministra Gleisi Hoffmann classificou as ameaças como uma “conspiração vergonhosa” de Bolsonaro com a extrema-direita americana.

Eduardo Bolsonaro, que se mudou para os EUA em março de 2025 por perseguição política, celebrou as restrições de visto, associando-as diretamente a Moraes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) investiga suas articulações nos EUA, que intensificaram as tensões após a abertura de um inquérito por Moraes sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado.

Implicações da Medida

As restrições de visto anunciadas por Rubio, ainda sem detalhes sobre alvos específicos, podem incluir sanções como bloqueio de contas bancárias, cancelamento de cartões de crédito e proibição de entrada nos EUA, com base na Lei Magnitsky, que pune violações de direitos humanos. A medida é vista como inédita no Brasil e reflete o apoio de republicanos a figuras como Elon Musk, que acusou Moraes de promover censura ao bloquear o X e congelar contas da Starlink para garantir multas judiciais.

No Brasil, a suspensão do X foi justificada por Moraes como necessária para combater desinformação e discursos de ódio, mas críticos, incluindo Salazar, alegam que a decisão viola a liberdade de expressão, especialmente de cidadãos americanos como Musk, que é naturalizado nos EUA. O STF e o governo brasileiro defendem a soberania nacional, enquanto o Itamaraty monitora a crise para evitar sanções diretas a Moraes.

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