O cantor Marlon Brandon Coelho Couto, conhecido como MC Poze do Rodo, foi preso na madrugada desta quinta-feira (29/05) por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A prisão temporária, cumprida em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, decorre de investigações por apologia ao crime e envolvimento com o tráfico de drogas. Poze, de 24 anos, é acusado de realizar shows em áreas dominadas pelo Comando Vermelho (CV), com letras que, segundo a polícia, incitam a violência e promovem o tráfico. Ele foi levado à Cidade da Polícia, no Jacarezinho, sem prestar declarações, reclamando apenas das algemas.
Detalhes da prisão e investigações
A operação, baseada em um mandado de prisão temporária, foi desencadeada após vídeos de um baile funk na Cidade de Deus, em 17 de maio de 2025, viralizarem. As imagens mostram traficantes armados com fuzis assistindo ao show de Poze, que entoava músicas enaltecendo o CV. A DRE afirma que o cantor se apresenta exclusivamente em territórios controlados pela facção, com segurança armada garantida por criminosos. Esses eventos seriam usados para aumentar lucros com a venda de drogas, financiando a compra de armas e equipamentos para atividades ilícitas.
Segundo a Polícia Civil, as letras de Poze “extrapolam os limites constitucionais da liberdade de expressão”, configurando apologia ao crime e associação para o tráfico, com potencial para incitar confrontos entre facções e causar vítimas inocentes. Um exemplo é o show na Cidade de Deus, ocorrido dias antes da morte do policial José Antônio Lourenço, da Core, baleado em operação na comunidade em 19 de maio. Eventos semelhantes já haviam sido registrados, como um baile no Jacaré em 2020.
O advogado de Poze, Fernando Henrique Cardoso Neves, classificou a prisão como uma “narrativa antiga” e disse que a defesa buscará esclarecimentos. “Se ele não for liberado, entraremos com um habeas corpus”, afirmou ao G1. A investigação segue para identificar outros envolvidos e financiadores dos bailes.
Quem é MC Poze do Rodo
Nascido na Favela do Rodo, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, Marlon Brandon Coelho Couto ganhou notoriedade com o funk carioca e o subgênero trap de cria. Hits como “Essência de Cria”, “Vida Louca” e “A Cara do Crime” refletem sua vivência nas favelas, abordando violência e desigualdade. Em 2020, lançou o álbum O Sábio, com participações de Cabelinho, Orochi e Oruam. Poze, que tem mais de 5 milhões de seguidores no Instagram, já admitiu ter atuado como “vapor” (vendedor de drogas) no tráfico entre 2015 e 2016, mas afirma ter abandonado o crime pela música.
Em entrevista ao Profissão Repórter (2024), ele destacou como o funk transformou sua vida: “Ser sábio é ter inteligência para sair de uma situação ruim e se superar.” Apesar do sucesso, sua trajetória é marcada por polêmicas, incluindo acusações de apologia ao crime e investigações por sorteios ilegais nas redes sociais.
Histórico de problemas com a Justiça
Poze já enfrentou outras acusações:
- 2019 (Sorriso, MT): Preso por apologia ao crime, tráfico, corrupção de menores e fornecimento de álcool a adolescentes durante um baile funk. A polícia flagrou 42 menores consumindo drogas e álcool. A prisão foi convertida em preventiva, mas ele foi solto dias depois com medidas cautelares, como proibição de ironizar a Justiça. A defesa negou que Poze organizasse o evento.
- 2020 (Jacarezinho, RJ): Denunciado pelo Ministério Público por associação ao tráfico após um show no aniversário de um traficante. Poze admitiu receber R$ 20 mil, mas negou saber que era um evento ligado ao tráfico. A prisão preventiva foi revogada, e ele foi absolvido em novembro de 2024 pela juíza Daniella Alvarez Prado, que considerou suas letras não configurarem apologia.
- 2023 (Cancelamento de show): Um show no Teatro João Caetano foi cancelado após críticas de deputados bolsonaristas, como Anderson Moraes (PL), que acusaram Poze de promover “apologia ao crime” e “cultura machista”. O cantor respondeu lançando “A Cara do Crime 4”.
- 2024 (Operação Rifa Limpa): Poze e sua esposa, Viviane Noronha, foram alvos de uma investigação por sorteios ilegais nas redes sociais, suspeitos de lavagem de dinheiro. Carros de luxo e joias foram apreendidos, incluindo um Tesla Cybertruck avaliado em R$ 2 milhões. Em abril de 2025, a Justiça devolveu os bens por falta de provas de ligação com os crimes.