7ª Fase da Operação Sisamnes: PF prende cinco por pistolagem e corrupção envolvendo STF, STJ e assassinato em Cuiabá

Investigação da Polícia Federal revela esquema de assassinatos, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo autoridades do STF, STJ e TJMT.
Redação Imediato Online
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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (28/05) a 7ª Fase da Operação Sisamnes, autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), para desarticular uma organização criminosa autodenominada Comando C4 (Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos). A operação resultou na prisão de cinco suspeitos acusados de operar serviços de pistolagem e espionagem, com uma tabela de preços que cobrava R$ 250 mil para assassinar um ministro do STF, R$ 150 mil por um senador e R$ 100 mil por um deputado. A investigação, centrada no assassinato do advogado Roberto Zampieri em Cuiabá (MT) em 2023, também revelou um esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), envolvendo crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, mercado de câmbio clandestino, evasão de divisas e organização criminosa.

Detalhes da 7ª Fase da Operação Sisamnes

A operação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, quatro mandados de monitoramento eletrônico e seis mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais. Medidas cautelares, como recolhimento domiciliar noturno, proibição de contato e saída do país com recolhimento de passaportes, também foram impostas a outros investigados. As ações ocorreram em locais estratégicos, incluindo a Penitenciária Central do Estado (PCE) e o 44º Batalhão de Infantaria Motorizado, em Cuiabá.

Um dos alvos centrais é o coronel da reserva do Exército Etevaldo Caçadini de Vargas, apontado como líder do esquema. A PF identificou que o Comando C4, formado por militares ativos e da reserva e civis, operava uma empresa de fachada registrada em Minas Gerais, oficialmente destinada a serviços de segurança privada, mas usada para espionagem e homicídios sob encomenda. A organização utilizava drones, prostitutas para vigilância e mantinha uma tabela manuscrita com preços de assassinatos, que incluía autoridades como ministros do STF e parlamentares.

Assassinato de Roberto Zampieri e corrupção judicial

O ponto de partida da investigação foi o assassinato de Roberto Zampieri, executado com 10 tiros em frente ao seu escritório em Cuiabá, em dezembro de 2023. A análise do celular da vítima revelou provas de pagamentos de propina a desembargadores e assessores do STJ, além de negociações para venda de sentenças judiciais. O crime, motivado por uma disputa judicial de R$ 100 milhões envolvendo terras em Mato Grosso, expôs a ligação do Comando C4 com um esquema de corrupção que conectava operadores jurídicos, advogados e servidores públicos.

A PF descobriu que o grupo criminoso atuava como facilitador no comércio ilegal de decisões judiciais, rompendo a vinculação direta entre o corruptor e o corrompido por meio de uma rede financeira-empresarial de lavagem de dinheiro. O lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, preso na 5ª fase da operação em 13 de maio, é considerado uma peça-chave no esquema, com “função decisiva de comando” na intermediação das propinas.

Contexto das fases anteriores

A Operação Sisamnes, iniciada em 26 de novembro de 2024, já passou por sete fases, três delas em maio de 2025, todas autorizadas pelo STF:

  • 1ª Fase (26/11/2024): Cumpriu 23 mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva em Mato Grosso, Pernambuco e Distrito Federal, mirando a venda de sentenças no STJ.
  • 2ª Fase (20/12/2024): Investigou lavagem de dinheiro via operações imobiliárias suspeitas, com bloqueio de R$ 1,8 milhão e sequestro de imóveis de um magistrado em Cuiabá.
  • 3ª Fase (18/03/2025): Cumpriu um mandado de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão no Tocantins, focando em obstrução de justiça e violação de sigilo funcional.
  • 5ª Fase (13/05/2025): Executou 11 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo e Distrito Federal, com sequestro de R$ 20 milhões em bens, mirando lavagem de dinheiro e corrupção.
  • 6ª Fase (14/05/2025): Cumpriu dois mandados de prisão preventiva e um de busca e apreensão no Distrito Federal, investigando obstrução de justiça contra a 5ª fase.
  • 7ª Fase (28/05/2025): Focou nos mandantes do assassinato de Zampieri e na desarticulação do Comando C4, com prisões e buscas em três estados.

O nome “Sisamnes” remete a um juiz persa executado por corrupção, simbolizando a punição exemplar contra abusos no Judiciário.

Impacto e implicações

A 7ª fase da Operação Sisamnes expõe um grave cenário de instrumentalização militar para fins criminosos, com ameaças diretas a instituições democráticas. A existência de uma tabela de preços para assassinatos de autoridades, incluindo ministros do STF, senadores e deputados, levanta preocupações sobre a segurança de figuras públicas e a integridade do sistema judiciário. A operação também reforça a complexidade do esquema de corrupção no STJ, que, segundo a PF, envolveu assessores de ministros, empresários, operadores financeiros e casas de câmbio para ocultar propinas.

A Primeira Turma do STF decidiu manter a prisão de Andreson Gonçalves, reforçando a gravidade do caso. A PF continua investigando possíveis conexões com outros tribunais e a extensão do Comando C4, que pode ter outros alvos em sua lista. O Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Procuradoria-Geral da República (PGR) acompanham os desdobramentos, com potencial para novas fases da operação.

Foto: Divulgação/Polícia Federal

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