O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou em 19 de maio de 2025 a destruição de ovos provenientes de uma granja em Montenegro, Rio Grande do Sul, onde foi detectado o primeiro caso de gripe aviária de alta patogenicidade (H5N1) em aves comerciais no Brasil. Os ovos, rastreados em Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, foram descartados como medida preventiva, apesar de não haver comprovação de contaminação pelo vírus. A ação segue o Plano Nacional de Contingência para Influenza Aviária e visa proteger a avicultura nacional.
Detalhes da Ação Sanitária
A granja em Montenegro, que produzia ovos férteis para incubação (usados na reprodução de aves, não para consumo humano), teve cerca de 17 mil matrizes sacrificadas após a confirmação do H5N1 em 15 de maio. O Mapa rastreou os ovos enviados a incubatórios nos três estados e ordenou sua destruição para “mitigar qualquer risco” de disseminação do vírus.
- Minas Gerais: O governo estadual descartou 450 toneladas de ovos férteis no Centro-Oeste do estado. O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) informou que o rastreamento continua, e novos descartes podem ocorrer nos próximos dias.
- Paraná: A Secretaria de Agricultura eliminou 10,16 milhões de ovos (equivalente a 600 toneladas) em um incubatório, incluindo os provenientes de Montenegro e outros no mesmo local, por precaução. A operação, iniciada em 18 de maio, deve ser concluída até 20 de maio.
- Rio Grande do Sul: Além da destruição de ovos na granja foco, um incubatório em Soledade concluiu o descarte de ovos férteis. O estado instalou sete barreiras sanitárias em rodovias e estradas vicinais para desinfecção de veículos que transportam animais, ração e leite.
O Mapa reforçou que o consumo de carne de aves e ovos inspecionados é seguro, pois o H5N1 não é transmitido por alimentos cozidos. O risco de infecção em humanos é baixo, limitado a tratadores com contato intenso com aves infectadas.Impactos Econômicos e Comerciais
O Brasil, maior exportador de carne de frango do mundo, enfrenta embargos comerciais após o surto. Países como China, União Europeia, Argentina, Uruguai, Chile e México suspenderam importações de aves brasileiras, enquanto o Japão restringiu apenas produtos de Montenegro. Há expectativa de que Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita adotem suspensões parciais.
O Rio Grande do Sul, responsável por 15% da produção e exportação de aves do país, decretou emergência zoossanitária por 60 dias em 12 municípios, incluindo Montenegro, para agilizar medidas de contenção. O estado vistoriou 94 propriedades em um raio de 10 km do foco, com 27 na zona de maior risco, e inspecionou a única granja de recria na região.
O ministro Carlos Fávaro afirmou que, se não houver novos casos, o governo negociará a retomada das exportações com restrições apenas ao RS. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) minimiza o impacto a longo prazo, mas analistas alertam para possível alta nos preços de ovos e frango no mercado interno.Contexto da Gripe Aviária
O H5N1, detectado pela primeira vez em uma granja comercial brasileira, é altamente contagioso entre aves, com taxas de mortalidade de até 100% (como no primeiro galpão da granja de Montenegro). Antes de 2025, o Brasil registrou casos apenas em aves silvestres (164) e de subsistência (3), com o primeiro foco em maio de 2023 no Espírito Santo.
A doença circula globalmente desde 2006, com surtos na Ásia, África e Europa. Nos EUA, a gripe aviária causou a morte de 120 milhões de aves e elevou preços de ovos, enquanto no México uma criança morreu em abril de 2025, sem contágio secundário.
Medidas de Contenção
O Serviço Veterinário Oficial do RS (SVO-RS) segue o Plano Nacional de Contingência, que inclui:
- Sacrifício de aves na granja foco e limpeza/desinfecção do local.
- Investigação em propriedades num raio de 10 km e de possíveis vínculos.
- Barreiras sanitárias para desinfecção de veículos.
- Monitoramento de granjas e educação sanitária, com 8 mil ações em MG em 2024.
O Zoológico de Sapucaia do Sul, onde outro foco foi detectado em aves silvestres, permanece fechado, com testes em andamento.