Uma vendedora de 68 anos, identificada como dona Isabel, procurou a imprensa para denunciar a retirada forçada de sua banca de vendas, localizada no bairro Ouro Verde, zona leste de Manaus. Segundo ela, o espaço onde funcionava seu trailer foi desmontado por ordem da prefeitura sob a justificativa de que o local passaria por uma reforma, o que até o momento não ocorreu.
Dona Isabel relata que trabalhava há anos vendendo alimentos em um dos três trailers instalados na área. No dia 30 de janeiro, foi informada de que precisaria desocupar o local temporariamente devido a obras que seriam realizadas. No entanto, quase quatro meses depois, nada foi entregue, e ela segue sem trabalhar.
“Vieram aqui, quebraram tudo da minha banca, disseram que eu receberia um novo trailer e que seria reformado aqui o espaço. A única coisa que fizeram foi pintar o campo. O resto está do mesmo jeito. Eu fiquei sem nada, tive um prejuízo de R$ 15 mil. Joguei fora tudo o que eu tinha juntado com tanto esforço”, afirmou a comerciante.
Ela também diz possuir documento de autorização de uso do espaço, mas que isso não foi levado em consideração durante a ação. Segundo seu relato, representantes enviados ao local desmontaram a estrutura e deixaram os restos no terreno. Além de não ter recebido o prometido trailer substituto, dona Isabel conta que ainda teve que arcar com os custos para retirar os escombros.
“Paguei do meu bolso para tirar os entulhos. Fui notificada por um senhor chamado Mineiro, que seria o representante aqui do campo, e disseram que se eu não tirasse, eles jogariam fora. Foi o que fizeram. Jogaram meu trailer no lixo. Até hoje ninguém me deu resposta”, desabafou.
Ela afirmou que já tentou contato com representantes da prefeitura e que pretende acionar o Ministério Público e a Defensoria Pública. “Sou uma senhora de idade, não tenho aposentadoria, não tenho como recomeçar. Tudo que eu tinha investi nesse trailer. Só quero voltar a trabalhar de forma digna. Não invadi área de ninguém, só queria manter meu sustento”, disse, emocionada.
Por fim, a vendedora faz um apelo direto ao prefeito e às autoridades municipais: “Quero saber quem vai ressarcir meu prejuízo. Não estou pedindo favor, estou pedindo justiça”.
A equipe de reportagem registrou imagens do momento em que a estrutura da banca foi destruída e ouviu moradores que confirmaram a ausência de reforma na área, além da paralisação das promessas feitas às pessoas afetadas.
A Prefeitura de Manaus foi procurada para comentar o caso, mas até a publicação desta reportagem não se pronunciou.