A Polícia Federal (PF) deflagrou, na terça-feira (13/05), a Operação Cofre Corrompido, resultando no afastamento de um tesoureiro da Caixa Econômica Federal suspeito de desviar aproximadamente R$ 600 mil de uma agência em Guajará-Mirim, Rondônia. A ação, que também envolveu mandados de busca e apreensão, sequestro de dois veículos e bloqueio de contas bancárias no valor do prejuízo, expôs um esquema sofisticado de fraude que utilizava notas falsas para ocultar o crime.
Esquema de Desvio
As investigações, iniciadas em setembro de 2024 após denúncia da própria Caixa, revelaram que o tesoureiro, aproveitando-se do acesso privilegiado ao cofre da agência, retirava dinheiro em espécie e o substituía por cédulas sem valor comercial, numa tentativa de mascarar o desvio. O montante de R$ 600 mil foi subtraído de forma fracionada ao longo de anos, o que dificultou a detecção imediata do crime.
Segundo a PF, o servidor manipulava o cofre de maneira a burlar os controles internos da instituição. A 7ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de Rondônia expediu os mandados com base nas evidências coletadas, que incluíam registros internos e auditorias realizadas pela Caixa.
Operação Cofre Corrompido
A operação mobilizou agentes da PF em Guajará-Mirim para cumprir os mandados judiciais. Além do afastamento do tesoureiro do cargo público, foram realizados:
- Busca e apreensão em endereços ligados ao investigado.
- Sequestro de dois veículos pertencentes ao servidor.
- Bloqueio de contas bancárias até o limite de R$ 600 mil, visando ressarcir o prejuízo causado.
A PF informou que as medidas têm como objetivo reunir provas adicionais e garantir a reparação dos danos à instituição financeira. O caso também destaca a importância da colaboração entre a Caixa e as autoridades para identificar e coibir fraudes internas.
Contexto de Combate à Corrupção
A Operação Cofre Corrompido soma-se a outras ações recentes da PF contra desvios em instituições públicas. Em abril de 2025, a Operação Sem Desconto afastou o presidente do INSS por suspeita de desvio de R$ 6,3 bilhões, e a Operação Overclean investigou fraudes envolvendo emendas parlamentares, movimentando R$ 1,4 bilhão. No Amazonas, a Operação Caminhos Seguros resultou na prisão de um homem por estupro de vulnerável, mostrando o amplo escopo das ações policiais no combate a crimes diversos.
Próximos Passos
O tesoureiro afastado responderá por crimes como peculato, lavagem de dinheiro e falsificação de moeda, com penas que podem ultrapassar 7 anos de reclusão, dependendo da gravidade confirmada. A PF continuará as investigações para apurar possíveis cúmplices ou outros desvios na agência de Guajará-Mirim. A Caixa Econômica Federal reforçou que está colaborando plenamente com as autoridades e revisando seus protocolos de segurança para evitar novos casos.
A população pode denunciar irregularidades em instituições públicas pelo canal Fala.BR da Controladoria-Geral da União (CGU) ou pelo telefone 181 da Secretaria de Segurança Pública de Rondônia, com garantia de anonimato.
Fotos: Divulgação / Polícia Federal