Adolescente autista é impedido de usar assento preferencial em ônibus de Manaus

Adolescente autista enfrenta discriminação ao tentar usar assento preferencial em ônibus de Manaus, expondo a necessidade de mais respeito e acessibilidade.
Redação Imediato Online
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Manaus (AM) – Um adolescente autista de 16 anos foi impedido de utilizar um assento preferencial dentro de um ônibus da linha 215, em Manaus. O caso aconteceu na manhã da última segunda-feira (28) e foi denunciado pelo pai do jovem, o senhor David, que gravou um vídeo com o filho relatando o constrangimento vivido durante o trajeto.

Segundo o adolescente, o motorista se recusou a permitir que ele se sentasse no banco reservado, mesmo após ele explicar que tinha direito garantido por lei. “Ele disse que aquele lugar era para outras pessoas, mesmo sendo preferencial. Depois que eu levantei, ele deixou outras pessoas sentarem lá”, contou o jovem, visivelmente abalado.

O pai afirma que situações como essa já vinham ocorrendo há algum tempo, com episódios recorrentes de discriminação por parte de alguns motoristas. “Meu filho vinha me contando que estava sendo tratado de forma grosseira e injusta, mas dessa vez ele não aguentou mais. Decidi gravar o vídeo para denunciar”, declarou David.

Após o ocorrido, o pai procurou a empresa responsável pelo ônibus, mas não obteve retorno. Diante da omissão, ele registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) e cobra providências. “Não é só sobre esse motorista. É sobre um sistema despreparado, que precisa entender o que é inclusão e respeito”, destacou.

A legislação brasileira garante o direito de pessoas com deficiência ao uso de assentos preferenciais em transportes públicos. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) está incluído nessa categoria. Segundo o Estatuto da Pessoa com Deficiência, impedir ou dificultar esse direito configura discriminação passível de sanção legal.

O caso ocorre em um momento simbólico: o mês de abril é dedicado à conscientização sobre o autismo, com campanhas voltadas à inclusão, respeito e direitos das pessoas com TEA. Para o pai, o desrespeito escancarado é um reflexo da falta de preparo e sensibilidade por parte de alguns profissionais do transporte coletivo. “Empresas precisam capacitar melhor seus funcionários. Ninguém deveria passar por isso, muito menos um adolescente que só queria ir para casa com dignidade.”

A família espera que a denúncia resulte em mudanças e cobra fiscalização mais rigorosa por parte dos órgãos públicos e do setor de transporte. “Queremos que isso não se repita com outras crianças, com outras famílias. O direito existe, o que falta é respeito.”

A reportagem entrou em contato com a empresa responsável pela linha 215 e com o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), e aguarda um posicionamento oficial.

Veja o vídeo:

https://www.instagram.com/reel/DJCoVhPvfdV/?igsh=b2R0dnh3cTk1NGcw

Foto: Reprodução

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