Em um momento de intensos debates sobre o papel da universidade pública na região Norte, a comunidade acadêmica da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) escolheu nesta segunda-feira (15) a professora Tanara Lauschner como nova reitora da instituição. Ela será a primeira mulher no comando da Ufam em oito anos e assume o desafio de liderar a maior universidade da Amazônia Legal entre 2025 e 2029.
Tanara encabeçou a chapa Mudança! ao lado do professor Geone Maia Corrêa, eleito vice-reitor. Eles venceram o segundo turno da consulta acadêmica com 52,86% dos votos, superando a chapa adversária, Por uma Ufam que Humaniza, Inclui e Transforma, formada por Marco Antônio Mendonça (o professor Marcão) e Armando Júnior, que ficou com 47,14%.
A votação foi realizada de forma virtual, com participação paritária de docentes, técnicos e discentes, totalizando mais de 13 mil votantes. Apesar da vitória entre os professores e estudantes, a chapa de Tanara enfrentou resistência entre os técnicos-administrativos em educação (TAEs), onde a maioria dos votos foi para o professor Marcão. Ainda assim, o resultado final refletiu uma preferência majoritária por renovação.
Com uma trajetória sólida na Ufam, Tanara é professora do Instituto de Computação desde 2002. Graduada em Engenharia Elétrica pela própria universidade, ela também possui mestrado pela UFMG e doutorado em Informática pela PUC-Rio. Ao longo da carreira, foi diretora do Instituto de Computação, pró-reitora de Inovação Tecnológica e articuladora de iniciativas pioneiras como o PPGI/UFAM, primeiro programa de pós-graduação em informática da região Norte.
Durante a campanha, a agora reitora eleita adotou uma postura firme em defesa da ciência, da inclusão e da autonomia universitária. Sua chapa teve forte presença nos debates públicos e soube utilizar bem as redes sociais para mobilizar apoio, especialmente entre os estudantes.
A eleição de Tanara também marca um possível novo ciclo para a Ufam, que nos últimos 24 anos foi administrada por três reitores consecutivos, todos com dois mandatos de quatro anos. Caso a tradição de reeleição se mantenha, Tanara poderá continuar na reitoria até 2033.
Mais do que uma vitória política, a escolha de Tanara Lauschner representa um sinal claro de que parte significativa da comunidade acadêmica deseja novos rumos para a universidade: com mais diálogo, protagonismo científico e compromisso com a sociedade amazônica.