Por Heloisa Lima, com imagens de Jonathan Reis – Site Imediato
Manaus (AM) – Um caso de agressão psicológica e cárcere privado veio à tona nesta sexta-feira (11), após a advogada criminalista Nicole Menezes denunciar seu ex-companheiro, um motorista de aplicativo identificado como Igor, na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher.
Segundo Nicole, os dois estavam em um relacionamento há cinco meses e já moravam juntos quando ela sofreu um aborto. No momento mais delicado, após a perda do bebê, ela afirma que foi abandonada pelo companheiro na maternidade. Dias depois, ele retornou e a manteve em cárcere privado, sem água potável e sem acesso a itens básicos.
“Eu estava bebendo água da torneira, da Cosama. Ele me deixou sem condições de sair de casa. Após o aborto, fui trancada e só consegui ajuda quando o dono do apartamento levou água para mim”, relatou a advogada, emocionada.
Nicole também revelou que só percebeu estar em um relacionamento abusivo quando foi incentivada por uma jornalista a revisar as mensagens trocadas com o agressor. “Foi só ontem que a ficha caiu. Quando reli as mensagens e vi os prints, percebi que estava sendo vítima de violência doméstica. Ele dizia que eu era louca por mandar mensagens procurando por ele, enquanto ele desaparecia e ia para balneários com os amigos”, disse.
Além das agressões psicológicas, a advogada afirma ter sido ameaçada por mensagens e já solicitou à Justiça a prisão preventiva do suspeito. O acusado, que já serviu ao Exército e atualmente trabalha como motorista da Uber e 99, também já possui um histórico de violência doméstica, mas a ex-companheira retirou as acusações na época.
Nicole, que atua como advogada criminalista e já defendeu vítimas de violência doméstica, lamenta profundamente ter passado por essa situação: “É doloroso, como mulher e como profissional, perceber que também fui vítima. Sempre alertei outras mulheres sobre os sinais, mas comigo mesma, só percebi quando já estava afundada”.
A vítima foi resgatada com a ajuda do advogado Abdel e atualmente está em local seguro e sigiloso. Ela pede que a equipe de motoristas da qual o suspeito faz parte, chamada “Anonymous”, tome providências para preservar a integridade dos passageiros e da própria imagem do grupo.
“Não cabe um agressor numa equipe séria. Estamos falando de um homem que manteve uma mulher em cárcere, que desrespeitou o luto de quem acabou de perder um filho”, pontuou.
O caso está sendo acompanhado pelas autoridades e serve de alerta para outros casos semelhantes.