Caso Deusiane: 10 anos depois família ainda pede justiça

Família luta há 10 anos por respostas sobre morte de policial militar no Amazonas.
Redação Imediato Online
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Antônia Assunção, mãe da soldado Deusiane Pinheiro, ergueu a voz mais uma vez. Com um alto-falante nas mãos e a dor de uma década nos olhos, ela liderou familiares e amigos em frente ao Fórum Henoch Reis nesta segunda-feira (1°), exigindo o que há dez anos lhe é negado: justiça.

A cena se repete, mas a ferida não cicatriza. Em 1º de abril de 2015, Deusiane – uma policial militar de 26 anos – foi encontrada morta com um tiro no Pelotão Ambiental da PM em Manaus. O cenário oficial sugeria suicídio. As evidências, porém, contavam outra história.

“Na minha percepção, justiça no Amazonas só chega para quem tem dinheiro. É privilégio de minoria. Dez anos eu clamo, dez anos sou prisioneira dentro da minha própria casa. Não quero que esse caso prescreva. Chega de acobertar bandido de farda!”, desabafou Antônia, cujo protesto ecoou pelas ruas como um grito contra a impunidade.

O crime

O Ministério Público denunciou cinco PMs em 2017, mas o caso arrasta-se em labirintos processuais. O principal acusado, o sargento Elson dos Santos Brito, mantinha um relacionamento conturbado com Deusiane. Testemunhas relatam que ele a assediava após reatar com uma ex-companheira – conflito que culminou em um confronto físico entre as duas mulheres.

No dia do crime, enquanto quatro colegas estavam no piso inferior da base flutuante “Peixe-Boi”, Deusiane e Elson estavam sozinhos no andar de cima. Os PMs ouviram um disparo e correram: encontraram a soldado ferida no chão, a arma ao lado. A versão de suicídio, porém, desmoronou diante do laudo pericial. O ferrolho da pistola havia sido manipulado – detalhe que expõe a farsa.

Dez anos depois, o caso Deusiane virou símbolo da violência institucional e da cultura de encobrimento nas corporações. Enquanto os acusados seguem impunes, a família transformou a dor em resistência.

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