Familiares e amigos pedem justiça por adolescente autista agredido por ex-militar em Manaus

Família e amigos pedem justiça após adolescente autista ser agredido por ex-militar em Manaus.
Redação Imediato Online
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Na manhã desta sexta-feira (28), em frente ao Fórum Ministro Henoch Reis, no bairro São Francisco, em Manaus, familiares e amigos se reuniram em um ato de protesto em busca de justiça para Carlos Maxsuel, um adolescente de 14 anos com autismo, que foi brutalmente agredido na última quarta-feira (26) no bairro Colônia Terra Nova, Zona Norte de Manaus.

O agressor, um ex-militar identificado como Aldon Pinto de Oliveira, de 49 anos, teria se irritado com o comportamento de outros adolescentes que supostamente chutaram o portão de sua residência. As câmeras de segurança registraram o momento em que Carlos, ao retornar da escola, foi abordado pelo homem, que estava segurando um pedaço de madeira. Nas imagens, é possível ver, após uma breve conversa, o agressor desferindo tapas e socos no jovem, que ficou visivelmente abalado.

O protesto, organizado por familiares, amigos e membros do grupo “Mães Atípicas”, reuniu diversas faixas com mensagens de repúdio à violência contra pessoas com deficiência. Uma das faixas dizia: “Violência contra pessoas com autismo não pode ser ignorada”. Outras, como “Super mães, crianças especiais, uma por todas, todas por eles” e “A inclusão começa com respeito”, reforçavam o pedido por punição ao agressor.

Dona Dulcimar, avó de Carlos, relatou a dor e o sofrimento ao assistir às imagens da agressão. “Quando vi a paulada, eu não aguentei. Foi um choque, eu chorei muito. Não é só meu neto, é uma criança que tem autismo, e ele nunca mereceu isso”, disse ela, emocionada. Ela ainda revelou que, apesar de já ter entrado com uma ação judicial, não obteve nenhuma resposta até o momento. “Vamos continuar lutando até que o agressor seja preso”, afirmou.

Lena Ribeiro, líder do grupo “Mães Atípicas”, também participou do protesto e falou sobre a constante violência contra crianças autistas. “Estamos cansadas de ver nossos filhos sendo agredidos. Desde o caso de meu filho, até o de Carlos, que foi agredido na rua, a violência contra crianças com autismo é um problema recorrente e, infelizmente, sem punição”, comentou.

A líder do grupo ainda fez um apelo para que as autoridades competentes tomem uma atitude. “Estamos exigindo que a justiça seja feita. Não podemos mais suportar o sofrimento e o descaso. A inclusão começa com respeito, e isso precisa ser levado a sério”, concluiu.

O caso de Carlos é apenas um exemplo das agressões que têm ocorrido contra pessoas com deficiência, principalmente aquelas com autismo. Durante o ato, também foram mencionados outros casos, como o de Mateus, outro jovem com autismo que também foi agredido, com faixas pedindo justiça para ele.

A manifestação em frente ao fórum chamou a atenção de quem passava pela região, e muitos apoiaram a causa, apoiando as faixas e os pedidos de justiça. “Violência contra autista é crime. Justiça já”, foi uma das mensagens que ecoaram entre os participantes.

A luta por justiça para Carlos e por um tratamento digno para pessoas com deficiência segue firme, com o apoio da comunidade e o apelo de mães e familiares que não aceitarão mais o silêncio diante de tanta violência.

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