A erosão na Rua Fábio Lucena, no bairro Mauazinho, Zona Sul de Manaus, tem colocado moradores em situação de desespero. Apesar do deslocamento de várias famílias e do lacramento de residências, o problema persiste e se agrava com o tempo. O que antes era um espaço residencial, com casas e até um campo de futebol, hoje se transformou em uma cratera crescente, ameaçando engolir novas construções.
As recentes chuvas intensificaram a erosão, e o desmoronamento do solo já se tornou parte da rotina dos moradores. “É uma luta diária, e o que ouvimos são apenas promessas. Até agora, nada foi feito para resolver o problema”, desabafa uma moradora, indignada com a falta de medidas concretas por parte do poder público.
A indignação da comunidade cresce à medida que a erosão avança. Durante um desabafo, uma moradora criticou diretamente o prefeito e cobrou providências urgentes. “Prefeito, o senhor está sendo uma vergonha para a gente! Venha resolver isso aqui”, declarou, revoltada com a inércia das autoridades. Outro morador reforçou a frustração da população: “As casas estão caindo e ninguém faz nada. Já perdemos tudo, e seguimos sem respostas.”
Moradores que já perderam suas casas ou veem suas residências sendo consumidas pela erosão relatam a angústia de viver sob risco constante. Uma das vítimas, cuja casa já teve parte da estrutura desabada, expressa revolta com a situação. “Foram anos de trabalho para construir o que tínhamos, e agora estamos apenas recebendo um auxílio de R$ 600. Isso não resolve nada, minha casa continua desmoronando e não temos respostas concretas”, lamenta.
Além da erosão em si, a falta de manutenção da área e a ausência de fiscalização são apontadas como agravantes. Moradores denunciam que um desvio irregular do esgoto teria comprometido ainda mais o solo. “O terreno começou a ceder por causa disso, e ninguém tomou providências. Agora estamos vendo nossas casas caírem”, relata outra moradora, que pede urgência na solução do problema.
A situação no Mauazinho remete a outras tragédias registradas em Manaus, como nos bairros Fazendinha e Jorge Teixeira, onde deslizamentos causaram mortes e destruição. O temor de que algo semelhante aconteça novamente assombra os moradores. “Estamos em alerta o tempo todo. Quando uma casa cai, sentimos um tremor que nos acorda no meio da noite. Não podemos viver assim, esperando a próxima tragédia”, afirma um morador.
A comunidade cobra ações efetivas e não apenas promessas. Além de conter a erosão, os moradores exigem soluções para realocação e indenização das famílias afetadas. “Não queremos mais discursos. Precisamos de soluções concretas e um compromisso por escrito. Não podemos esperar que nossas casas desapareçam enquanto a chuva continua”, enfatiza uma moradora, emocionada.
Enquanto as autoridades não apresentam uma resposta definitiva, a erosão avança, levando consigo casas, pertences e sonhos. A população segue aguardando uma solução, antes que o pior aconteça.
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