A situação do bairro União da Vitória, em Manaus, continua preocupando os moradores da Travessa Sabiá da Mata. Há mais de duas décadas, Dona Ana e outros residentes enfrentam, de forma contínua, os impactos da falta de infraestrutura básica e do descaso por parte das autoridades. Em uma área propensa a alagamentos, as casas são inundadas sempre que as chuvas chegam, colocando em risco a segurança e o bem-estar de dezenas de famílias.
O trabalho feito pela prefeitura, como a escavação do igarapé na tentativa de solucionar os alagamentos, foi insuficiente. “Fizeram a escavação, mas não resolveram o problema. Se tivessem feito o trabalho completo, com rip-rap, a situação poderia ser bem melhor durante o período de chuvas”, afirma Dona Ana, moradora do local há 22 anos.
Os danos causados pela chuva são irreparáveis: móveis, camas, fogões e até documentos importantes são perdidos nas enchentes. Dona Ana relatou que, em 2016 e 2017, vereadores visitaram o local para inspecionar o igarapé, mas até hoje, nenhuma solução concreta foi tomada. “Nós estamos perdendo tudo. A cada dia que passa, a situação só piora, mas pelo menos ainda estamos com vida”, desabafa.
Em um relato emocionado, Dona Ana pediu ajuda às autoridades, pedindo que olhassem com mais atenção para os problemas da comunidade. “Nós também somos parte do Estado. Precisamos de uma resposta urgente, porque a cada chuva, mais famílias perdem tudo. Não podemos mais viver assim”, afirmou.
Além disso, a situação se agrava ainda mais com a presença de animais perigosos, como o puraqué, que foi encontrado dentro de uma residência durante um dos alagamentos. “É um risco real, tanto para as crianças quanto para os moradores. Se um desses animais morde alguém, pode ser fatal”, alertou o morador da casa afetada.
A preocupação é compartilhada por outros moradores, que, apesar das dificuldades financeiras e da falta de recursos, se sentem obrigados a permanecer em suas casas, muitas vezes sem alternativas viáveis. “Não temos para onde ir. O aluguel é impossível para nós, e aqui é a nossa casa há muitos anos”, disse uma moradora local.
A situação não é novidade para a comunidade, que, ao longo dos anos, já se acostumou a promessas não cumpridas e a um serviço público ineficiente. A população pede que a prefeitura realize um novo trabalho de drenagem e, dessa vez, finalize o que foi iniciado, para que tragédias como essas possam ser evitadas.
“A gente está esperando uma resposta verdadeira, um trabalho de verdade. Não adianta cesta básica, queremos soluções, queremos um bairro que respeite os moradores”, afirmou Dona Ana, deixando um recado claro para as autoridades.
A Associação dos Moradores, liderada por Wildeman, presidente do bairro, também se coloca à disposição para colaborar com as autoridades municipais e garantir que o trabalho de drenagem e o asfaltamento das ruas seja concluído. Eles esperam que a prefeitura reconsidere a situação e envie equipes para resolver o problema de uma vez por todas.
A comunidade segue aguardando uma resposta, enquanto a cada chuva, o sofrimento e o medo tomam conta dos moradores da Travessa Sabiá da Mata, que clamam por melhorias e por um futuro mais seguro para suas famílias.