A Polícia Civil do Amazonas anunciou, nesta quinta-feira, 20 de março de 2025, a prisão de três suspeitos envolvidos em dois casos de estupro de vulnerável no município de Apuí, interior do estado. As ações, conduzidas com apoio do Conselho Tutelar e deflagradas ao longo desta semana, resultaram na detenção de um homem de 23 anos e de um casal – uma mulher de 27 anos e seu companheiro de 25 anos – por crimes contra uma adolescente de 12 anos e uma criança de apenas 4 anos, respectivamente. Os casos chocaram a população local devido à gravidade e à participação de familiares das vítimas.
No primeiro caso, registrado na segunda-feira, um homem de 23 anos foi preso em flagrante após ser denunciado pelo Conselho Tutelar. Ele mantinha um relacionamento com uma adolescente de 12 anos, fato que, segundo a polícia, era “normalizado” pela família da vítima, incluindo a sogra do suspeito. A jovem procurou uma Unidade Básica de Saúde (UBS) suspeitando estar grávida, o que levou à intervenção médica e à denúncia. Exames preliminares de farmácia apontaram resultado positivo para gravidez, e um exame de sangue foi solicitado para confirmação. O suspeito, ciente da idade da adolescente, foi encaminhado à delegacia e permanece à disposição da Justiça.
O segundo caso, ainda mais estarrecedor, veio à tona na quarta-feira, após denúncia feita pela avó de uma criança de 4 anos. A menina era vítima de abusos sexuais cometidos pela própria mãe, de 27 anos, e pelo padrasto, de 25 anos, que viviam com ela. A avó percebeu alterações no comportamento da neta e levou a criança a um hospital para exames de rotina, onde uma médica suspeitou de abuso. Após exame de conjunção carnal, foi confirmada a violência sexual. Em escuta especializada, a criança relatou que a mãe praticava sexo oral nela, enquanto o padrasto tocava suas partes íntimas. Diante da gravidade, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do casal, deferida pelo Poder Judiciário, e ambos foram detidos ontem. A mãe negou os crimes em depoimento, mas as evidências coletadas contradizem sua versão.
Durante coletiva na Auditória da Delegacia Geral, em Manaus, o delegado Paulo Alvinier, diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI), e o delegado Wellington Lucas Militão, titular da Delegacia de Apuí, detalharam as operações. “São casos que chocam e reforçam a necessidade de a sociedade denunciar. Conseguimos agir rapidamente graças às denúncias da avó e do Conselho Tutelar”, afirmou Alvinier. Militão destacou a apuração da autoria e materialidade dos crimes, enfatizando a prisão dos suspeitos e o encaminhamento das vítimas para cuidados médicos e psicológicos.
A mãe da adolescente de 12 anos também está sob investigação por abandono de incapaz e possível conivência no estupro de vulnerável. Ela deixou a filha em Apuí e mudou-se para Novo Aripuanã, alegando não ter condições de levá-la, embora tenha outros filhos consigo. A adolescente, que realizou testes de gravidez positivos, está agora sob os cuidados da avó e recebe apoio assistencial.
Os três suspeitos não possuem antecedentes criminais e seguem presos à disposição da Justiça. A Polícia Civil reforça o apelo para que a população denuncie casos de abuso pelo Disque 100 ou diretamente às autoridades locais. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes dos crimes e garantir a proteção das vítimas.