Exposição ‘Nenhuma Violência Contra a Mulher Deve Ser Tolerada’ é Inaugurada na Assembleia Legislativa do Amazonas

Exposição na Assembleia Legislativa do Amazonas destaca casos emblemáticos de violência contra mulheres e reafirma compromisso do Parlamento no combate à violência de gênero.
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Manaus, 18 de março de 2025 – A Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM) abriu suas portas na manhã desta terça-feira (18) para a inauguração oficial da exposição “Nenhuma Violência Contra a Mulher Deve Ser Tolerada”. O evento, realizado no hall da Casa Legislativa, marca o segundo aniversário da Procuradoria Especial da Mulher e reafirma o compromisso do Parlamento amazonense no combate à violência de gênero. A mostra, que ficará disponível até o dia 31 de março, reúne 12 casos emblemáticos de violência contra mulheres acompanhados pela Procuradoria, expondo histórias de luta, resistência e a busca incessante por justiça

A exposição, idealizada no mês dedicado às mulheres, destaca diferentes tipos de violência, como feminicídio, violência doméstica, importunação sexual e violência política de gênero. Entre os casos retratados, estão histórias com desfechos judiciais e outras que ainda aguardam resolução. Um dos relatos mais marcantes é o de Antônia Assumpção, mãe da policial militar Inês Estadunziano Pinheiro, vítima de feminicídio em abril de 2015. Há dez anos, dona Antônia clama por justiça, em um caso que envolve cinco policiais militares – um acusado diretamente pelo assassinato e outros por acobertamento e adulteração de provas. Até hoje, nenhum dos suspeitos foi condenado, e todos seguem promovidos e atuando nas ruas.

Assembleia
Exposição ‘Nenhuma Violência Contra a Mulher Deve Ser Tolerada’ é Inaugurada na Assembleia Legislativa do Amazonas. Foto: Johnnata Reis

Outro caso que ganhou destaque é o de Débora da Silva Alves, uma jovem de 18 anos assassinada brutalmente em 2023, quando estava grávida. Sua mãe, Paula Cristina Souza da Silva, relatou à deputada Alessandra Campelo, presidente da Comissão da Mulher, da Família e da Pessoa Idosa e procuradora especial da Mulher, um sonho premonitório que a levou a encontrar os restos mortais de sua filha e de seu neto, Arthur, após intensa busca. O assassino, que confessou o crime, permanece foragido, enquanto a família vive sob o peso do trauma e da impunidade.

A deputada Alessandra Campelo, uma das principais vozes por trás da iniciativa, emocionou-se ao discursar sobre a importância da exposição. “Estamos aqui com força, com a força das mulheres que resistem e das que, mesmo não estando mais entre nós, são representadas por suas famílias. Esses 12 casos são símbolos de uma luta que não pode parar. Queremos mudar a cultura do machismo desde a infância, para que o mundo deixe de ser um lugar de opressão e violência contra as mulheres”, declarou. Campelo também anunciou que a exposição será itinerante, percorrendo escolas e órgãos públicos do Amazonas ao longo do ano, com palestras de conscientização.

A mostra, que ficará disponível até o dia 31 de março. Foto: Johnnata Reis

O presidente da ALEAM, deputado Roberto Cidade, representado por sua mãe, Ângela Cidade, reiterou o apoio da Casa à causa. Ângela, aplaudida calorosamente, destacou o compromisso do filho com a proteção das mulheres e emocionou-se ao falar sobre a missão de acolher as vítimas e suas famílias. “Meu filho sempre olhará pelo próximo, e eu estou aqui porque acredito nesse trabalho. Essas mulheres são guerreiras, e elas têm meu abraço e meu apoio”, afirmou.

A mostra também celebra os dois anos da Procuradoria Especial da Mulher, instituída em março de 2023 como parte da Rede Estadual de Proteção à Mulher. O órgão oferece suporte psicossocial e jurídico às vítimas, acompanhando os processos junto ao Poder Judiciário. Casos como o de Brita Jaqueline Frutovio, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, e Débora Moura, vítima de importunação sexual, evidenciam o trabalho da Procuradoria em empoderar mulheres e combater a impunidade.

Dona Antônia Assumpção encerrou o evento com um apelo emocionado por justiça e um convite à sociedade: “São dez anos de dor, dez anos trancada em casa como um animal, enquanto os assassinos da minha filha vivem livres. No dia 1º de abril, farei um ato em frente ao Fórum para pedir justiça. Venham comigo lutar para que não haja mais Deuzianes, mais Déboras”. Seu discurso foi seguido por uma onda de aplausos e o compromisso de divulgação nas redes sociais da ALEAM e dos parlamentares.

A exposição estará disponível virtualmente no site da Assembleia Legislativa, e os organizadores pedem o apoio da população e da imprensa para dar visibilidade aos casos, na esperança de localizar foragidos e pressionar por justiça. “Não queremos apenas entregar flores no mês da mulher. Queremos falar das rosas que foram arrancadas, cortadas e mortas. Estamos aqui para lutar”, concluiu Alessandra Campelo, reforçando o grito coletivo que ecoou nos corredores da ALEAM: “Parem de nos matar!”

Carregar Comentários