Um morador do bairro Cidade Nova, na zona norte de Manaus, foi multado em R$ 30 mil e intimado a deixar sua residência após denunciar uma cratera que ameaça comprometer sua casa. Mauro Augusto Brito Risuenho relatou que a erosão se formou após um deslizamento de terra e vem aumentando com o tempo, colocando em risco diversas famílias da região.
A Justiça do Amazonas determinou, em decisão liminar, que a Prefeitura de Manaus iniciasse imediatamente obras de infraestrutura para conter o problema e providenciasse abrigo temporário para os afetados. A decisão atendeu a uma ação movida pelo vereador Sargento Salazar contra a gestão do prefeito David Almeida (Avante). O juiz Gonçalo Brandão de Sousa estabeleceu um prazo de 48 horas para o início das obras, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, podendo chegar a R$ 30 mil em caso de descumprimento.
No entanto, em vez de atender à determinação judicial, a Prefeitura aplicou uma multa de R$ 30 mil ao morador, alegando que sua casa está localizada em área verde. Mauro Augusto contesta a justificativa e apresentou documentos que comprovam o pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) há 35 anos.
Além da multa, agentes da Guarda Municipal compareceram à residência no dia 28 de fevereiro e intimaram o morador a deixar o imóvel sem oferecer qualquer assistência. Câmeras de vigilância registraram a ação dos agentes, e Mauro Augusto afirmou ter sido tratado como um criminoso durante a abordagem.
A situação expõe um impasse entre a administração municipal e os moradores afetados por problemas estruturais na cidade. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o vereador Salazar criticou a postura da Prefeitura e ironizou o discurso recente do prefeito. “O mais engraçado é que o prefeito leu a mensagem governamental esta semana na Câmara e parecia que eu morava nos Estados Unidos, enquanto a cidade está um caos. Aqui, o buraco é mais embaixo, o bagulho é doido”, declarou o parlamentar.
A cratera continua representando perigo para os moradores do Núcleo 23, especialmente no período chuvoso, quando a erosão tende a se agravar. A decisão judicial reforça a necessidade de uma ação imediata por parte da Prefeitura para garantir a segurança da população.