Jovem de 15 anos recebe falsa promessa de trabalho, é mantida em cárcere privado e explorada sexualmente em Manicoré

Adolescente de 15 anos é mantida em cárcere privado e explorada sexualmente em casa de prostituição no Amazonas.
Redação Imediato Online
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A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) prendeu na quarta-feira, 26 de fevereiro, uma mulher de 44 anos e um homem de 74 anos, no município de Manicoré, pelos crimes de cárcere privado, favorecimento à prostituição e estupro qualificado contra uma adolescente de 15 anos. A vítima, natural de Borba, foi levada ao município sob a falsa promessa de emprego e acabou sendo mantida em uma casa de prostituição, onde era explorada sexualmente junto com seu filho de 1 ano, também vítima de cárcere privado.

O caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil por meio de uma denúncia do Conselho Tutelar, que acionou a delegacia de Manicoré. Segundo o delegado titular do município, Marcos Vinicius, a adolescente foi cooptada pela mulher em dezembro do ano passado com a oferta de trabalho. Ao chegar a Manicoré ela foi confinada e obrigada a se prostituir, saindo apenas para atender clientes específicos, incluindo o dono da casa de prostituição, identificado como o homem de 74 anos. Todo o dinheiro arrecadado era entregue aos suspeitos.

Durante escuta especializada, a vítima relatou que era ameaçada constantemente, inclusive com promessas de degola contra seu filho pequeno, caso não obedecesse. “Ela só saía para fazer programas e voltava para o cárcere. Era uma situação praticamente de escravidão”, afirmou o delegado Paulo Mavenier, em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira na Delegacia Geral, no bairro Dom Pedro, em Manaus.

As investigações, conduzidas pelo delegado Marcos Vinicius, culminaram na prisão da dupla no centro de Manicoré, com o cumprimento de mandados de prisão preventiva e a interdição da casa de prostituição. Aparelhos celulares foram apreendidos, e números de contatos encontrados em grupos de WhatsApp estão sendo analisados para identificar outros possíveis envolvidos, incluindo frequentadores do local. “Quem teve relação sexual com essa menor será indiciado e pode ter prisão preventiva decretada”, alertou Mavenier, pedindo que a população denuncie pelo disque 181 ou diretamente à delegacia de Manicoré.

A adolescente foi resgatada e encaminhada para atendimento psicológico e social, visando sua recuperação emocional. Os suspeitos, que negaram os crimes em depoimento, invocando o direito ao silêncio, responderão por cárcere privado, favorecimento à prostituição e estupro qualificado. Eles passarão por audiência de custódia e permanecem à disposição da Justiça.

O caso chocou a população de Manicoré, onde situações como essa são raras, segundo as autoridades. “É um crime que causa repulsa, mas a Polícia Civil agiu rápido e deu a resposta”, destacou o delegado. A investigação segue em andamento para apurar a participação de outros suspeitos em Manicoré e cidades próximas.

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