Empresário envolvido em esquema de venda ilegal de carros desviou R$ 20 milhões de concessionária

Esquema envolve desvio de mais de R$ 20 milhões em veículos de concessionária em Manaus.
Redação Imediato Online
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Manaus acordou nesta quarta-feira (26) com os ecos de uma operação policial que expôs as entranhas de um esquema criminoso milionário. Da sede da Delegacia-Geral, o Delegado-Geral Adjunto Guilherme Torres e o titular da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (DERFV), Rodrigo Barreto, detalharam a primeira fase da Operação “Proditores” – palavra latina que significa “traidores” e resume bem a trama. Dois ex-funcionários de uma concessionária foram presos, acusados de desviar 34 veículos, gerando um prejuízo que já ultrapassa os 20 milhões de reais, entre carros roubados e vítimas enganadas.

Tudo começou em julho de 2024, dentro da Autoparvi, uma concessionária de seminovos que, segundo a polícia, não teve conivência no crime, mas foi palco da traição. Um grupo de funcionários, liderado por Murilo, gerente do setor, forjava inventários mensais para encobrir o sumiço dos carros. A fraude só veio à tona em dezembro, quando uma auditoria surpresa revelou a falta de 10 veículos. “Disseram que não sabiam onde estavam os carros. Aí o fogo pegou”, relatou Barreto. A empresa registrou os primeiros boletins de ocorrência, e a investigação deslanchou.

Murilo, agora atrás das grades com prisão preventiva, era o cérebro da operação dentro da Autoparvi. Em seis meses, ele movimentou mais de 2,4 milhões de reais em suas contas – uma fortuna incompatível com seu salário de 7 a 8 mil reais. Ele fraudava entradas e saídas de veículos, repassando os carros para Ivan, dono da Guia Veículos, que os revendia a terceiros de boa fé. “Ninguém comprou carro direto da Autoparvi. A empresa foi vítima, não cúmplice”, enfatizou Barreto, rebatendo boatos que circularam nas redes sociais e até entre políticos.

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Até agora, 16 dos 34 carros subtraídos foram recuperados e devolvidos, mas o rombo é muito maior. Ivan, foragido com mandado de prisão em aberto, expandiu o golpe para outras duas concessionárias – uma com 20 carros, outra com 26 – e até fraudou financiamentos bancários em nome de terceiros, embolsando dinheiro e veículos que nunca viu. “Ele sumiu com tudo. Fechou a loja e deixou um rastro de vítimas”, contou o delegado. A polícia já bloqueou contas e quebrou sigilos telefônicos, fiscais e bancários, seguindo o “caminho do dinheiro” que, segundo estimativas, pode ultrapassar os 20 milhões de reais.

Outro preso, Gaio, teve prisão temporária decretada por participação menor, mas crucial na engrenagem criminosa. Pelo menos seis ex-funcionários estão na mira, todos demitidos pela Autoparve após o escândalo. “Havia uma divisão clara de tarefas: subtração, estelionato em cartórios, mudança de propriedade. Um esquema bem arquitetado”, detalhou Barreto. Entre as vítimas, estão não só a concessionária, mas dezenas de pessoas de boa fé que compraram os carros e agora amargam prejuízos – mais de 60 boletins de ocorrência foram registrados.

A coletiva também trouxe um tom de desabafo. Frente a insinuações sobre a conduta da polícia, Barreto foi firme: “Nosso trabalho é sério. As pessoas que estavam com os carros não foram tratadas como marginais, mas como vítimas. Antes de questionar nossa idoneidade, procure saber.” Ele pediu colaboração da sociedade para localizar Ivan, cuja foto será divulgada em breve, e prometeu novas fases da operação. “Onde estão esses milhões? Vamos encontrar e ressarcir as vítimas”, garantiu.

Enquanto a poeira da primeira etapa asentava, a Polícia Civil já se prepara para outra coletiva, desta vez sobre estupro, abandono de incapaz e tráfico de pessoas no interior do Amazonas. Mas, por ora, o foco está em “Proditores”: um golpe que começou no pátio de uma concessionária e se alastrou como fogo, queimando a confiança de dezenas de cidadãos. Ivan segue solto, Murilo e Gaio estão presos, e Manaus espera que a justiça alcance os traidores – e o dinheiro que eles levaram consigo.

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