Vídeo mostra o momento em que técnica de enfermagem é atropelada por micro-ônibus em Manaus

Técnica de enfermagem é atropelada por micro-ônibus desgovernado em Manaus, caso revela os perigos do trânsito caótico da cidade.
Redação Imediato Online
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O trânsito caótico de Manaus ganhou mais um capítulo trágico nesta terça-feira (25). Sob o olhar frio de uma câmera de segurança, a técnica de enfermagem Ângela de Oliveira Gomes, de 49 anos, teve a vida interrompida em menos de um minuto após chegar à avenida Presidente Dutra, no bairro Glória, Zona Oeste da capital. Um ônibus desgovernado a atropelou por volta das 6h35, enquanto ela seguia para a parada onde iniciaria sua jornada rumo ao trabalho. As imagens, que circulam como um soco no estômago, mostram a violences do impacto que arrancou um dos braços da vítima e a levou à morte instantânea.

Ângela era mais do que um nome nas estatísticas de acidentes da cidade. Funcionária do Hospital e Pronto-Socorro da Criança Zona Leste, o querido “Joãozinho”, ela dedicava seus dias a cuidar de crianças em situações de urgência. “Era o horário de sempre, ela saía pra trabalhar e ajudar os outros”, contou, com a voz embargada, o marido Pedro Gomes, de 57 anos. Ele ainda tenta compreender o que aconteceu. Minutos antes da tragédia, ouviu o estrondo do ônibus colidindo com o muro de uma casa próxima. Num reflexo de preocupação, enviou uma mensagem à esposa: “Meu bebezão, que barulho foi esse?!”. A resposta nunca veio. Em seu lugar, uma familiar trouxe a notícia que partiu seu coração.

O relato de Pedro carrega um misto de dor e indignação. Segundo ele, a rua onde o acidente aconteceu é tranquila, quase deserta naquele horário. “Por que o camarada vinha em tamanha velocidade numa área assim? Ele disse que perdeu o freio, mas eu sei que é por causa do atraso na rota”, desabafou, questionando a versão do motorista. O condutor, ferido no acidente, foi socorrido pelo SAMU e levado ao Hospital 28 de Agosto, mas seu estado de saúde segue sob sigilo. Nenhum dos trabalhadores que estavam no ônibus sofreu ferimentos.

A cena era de cortar o coração. O corpo de Ângela, mutilado pelo impacto, foi removido pelo Instituto Médico Legal (IML), enquanto a Polícia Militar isolava o local para a perícia do Departamento de Polícia Técnico-Científico (DPTC). A Delegacia Especializada em Acidentes de Trânsito (DEAT) agora assume a investigação, com a missão de esclarecer se foi falha mecânica, imprudência ou uma combinação fatal de ambos.

Enquanto as autoridades buscam respostas, Pedro Gomes se agarra às lembranças de sua “bebezão”. Para ele, Ângela não era apenas uma esposa, mas uma guerreira que saía de casa diariamente para salvar vidas – até que a dela fosse ceifada num instante de descuido alheio. Em Manaus, a avenida Presidente Dutra amanheceu silenciosa hoje, mas o eco dessa perda ainda ressoa, pedindo justiça e um trânsito mais humano.

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