Iranduba, AM – 21 de fevereiro de 2025 | A Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC) da Polícia Civil do Amazonas cumpriu, na manhã de quinta-feira (20), dois mandados de busca e apreensão, um em Manaus e outro no município de Iranduba, como parte de uma investigação sobre um possível ataque coordenado a escolas. Entre os alvos está uma adolescente de 13 anos, residente em Iranduba, suspeita de participar do planejamento do crime, que envolveria outros dois indivíduos de diferentes estados.
A operação teve início após informações repassadas pelo Ministério da Justiça, alertando sobre conversas em ambientes virtuais que indicavam a organização de um ataque em escolas no Amazonas e em outras regiões do país. Segundo a polícia, o grupo ainda estava na fase de planejamento, sem ações concretas executadas. No entanto, a gravidade da situação foi intensificada pela descoberta de uma arma de fogo caseira na residência da adolescente, além de dois celulares usados para as comunicações.
Durante o cumprimento do mandado em Iranduba, a jovem foi conduzida à delegacia, onde prestou depoimento. Ela admitiu ter conversado com outras pessoas sobre o tema, mas negou que houvesse um plano efetivo. “Nosso trabalho foi preventivo. Antecipamos qualquer possibilidade de ação e trouxemos a adolescente para esclarecimentos”, informou o delegado responsável pela operação, que assumiu a DERC em 15 de janeiro deste ano.
Perfil da adolescente e contexto social
A investigação revelou que a adolescente, além de suspeita, pode ser considerada uma vítima de circunstâncias sociais e psicológicas. “Ela é uma jovem que precisa de cuidados e atenção da sociedade. Há problemas psicológicos e sociais que podem tê-la levado a esse tipo de pensamento”, destacou o delegado. A arma encontrada em sua posse teria sido obtida por meio de contatos externos, mas os detalhes ainda estão sob apuração.
A polícia enfatizou a importância do acompanhamento familiar no uso da internet por crianças e adolescentes. “Os pais precisam monitorar o que os filhos fazem online. Esse planejamento ocorria dentro de casa, no celular dela, sem que a família percebesse”, alertou o delegado. O caso reacende o debate sobre a segurança no ambiente virtual e os riscos do acesso irrestrito a conteúdos nocivos.
Ação coordenada e próximos passos
A operação no Amazonas faz parte de um esforço conjunto com outros estados, sob coordenação do Ministério da Justiça, para desarticular a rede de suspeitos. As investigações seguem em andamento para identificar a origem da arma e a participação exata de cada envolvido. “São três pessoas identificadas até o momento. O foco agora é dar continuidade e esclarecer todos os fatos”, afirmou a autoridade policial.
O caso remete a episódios recentes de ataques a escolas e creches no Brasil, que deixaram vítimas e chocaram o país. A apreensão da arma e dos celulares em Iranduba reforça a preocupação com a prevenção de crimes cibernéticos e a proteção de jovens vulneráveis. A Polícia Civil reiterou que as redes sociais “não são terra sem lei” e que o combate a esse tipo de delito permanece uma prioridade.