Na manhã desta quarta-feira (5), o Site Imediato acompanhou o relato de um homem que sofreu o crime de racismo enquanto trabalhava na empresa Manaus Lixo. Jailton Santos Nascimento, de 44 anos, contou que foi alvo de constantes ofensas raciais por parte de seu ex-patrão, Sérgio da Silva Cerqueira, ao longo dos dez meses em que trabalhou na empresa. Segundo ele, o patrão chegou a chamar seu filho de “boiozinho” e utilizava termos como “preto”, “macaco” e outras ofensas racistas contra ele.
Em entrevista, Jailton descreveu como a situação piorou após ele registrar um boletim de ocorrência contra Sérgio por racismo. Ele afirmou que, em retaliação, o filho de seu ex-patrão, que estuda Direito, fez um boletim de ocorrência contra Jailton, acusando-o de ser homofóbico, uma acusação que ele nega veementemente. “Nunca fui homofóbico com ninguém”, afirmou.

Além das agressões verbais, Jailton relatou episódios de intimidação, como o envio de fotos na porta de sua casa e a tentativa de forçar uma reconciliação com o irmão do patrão. Ele afirmou que as ofensas não pararam mesmo após os registros de denúncia, e que seu patrão continuava a chamá-lo de “macaco” e a fazer referências racistas ao seu filho.

Jailton enfatizou que não busca apenas indenização financeira, mas justiça. Ele destacou a importância de denunciar o racismo e encorajou outras vítimas a fazerem o mesmo, afirmando que está disposto a lutar até o fim. “Não deixe ninguém te calar. Eu sou negro e honro minha cor”, disse.

O caso foi registrado no 23º Distrito Integrado de Polícia (DIP), e Jailton, que não recebeu os pagamentos devidos pelos dias trabalhados, afirmou que a empresa ofereceu apenas R$ 500 como compensação. O ex-funcionário afirmou também que gravou um áudio no qual seu ex-patrão expressa que só pagará o que deve por meio da justiça.
A denúncia de Jailton Santos Nascimento traz à tona mais um caso de racismo no ambiente de trabalho, um crime previsto no Código Penal Brasileiro, com penas que podem variar de 2 a 5 anos de prisão. A equipe de reportagem continuará acompanhando o caso e espera que a justiça seja feita.