Governo Lula assina portaria que limita uso de armas de fogo por policiais

Novas portarias do Governo Lula impõem restrições mais rígidas ao uso da força por forças de segurança no Brasil.
Redação Imediato Online
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O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciou na sexta-feira (17/05) a assinatura de três portarias que impõem novas normas mais rigorosas para o uso da força por agentes de segurança no Brasil. As medidas visam garantir a proteção de direitos fundamentais durante operações de segurança pública, estabelecendo um conjunto de restrições e orientações para o comportamento dos policiais.

As novas portarias complementam um decreto assinado por Lewandowski e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em dezembro de 2024, que já havia traçado algumas diretrizes sobre o uso de força nas ações de segurança pública. A principal mudança agora é a criação de normas mais detalhadas, com foco no uso da força letal e no tratamento de suspeitos durante abordagens.

Entre os principais pontos das novas portarias, destacam-se:

  1. Proibição do uso de armas de fogo contra suspeitos desarmados em fuga: A portaria estabelece que os agentes de segurança não poderão mais usar armas de fogo contra indivíduos que estejam em fuga, desde que não estejam armados, a menos que haja risco iminente de vida para os policiais ou para a população.
  2. Restrição ao uso de armas e tiros de advertência: A normativa também estabelece que os policiais deverão evitar o apontamento de armas durante abordagens, assim como o disparo de tiros de advertência, exceto em situações de extrema necessidade.
  3. Uso de algemas e necessidade de justificativa: O uso de algemas deverá ser justificado em boletins de ocorrência ou relatórios operacionais, seguindo decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2008. A medida visa evitar abusos e garantir maior transparência nas ações de segurança.
  4. Uso de armas de fogo como último recurso: A utilização de armas de fogo deverá ser considerada apenas em último caso, com o incentivo ao uso de equipamentos de menor potencial ofensivo, como sprays de pimenta e armas de choque.

Além disso, as portarias criaram um comitê de fiscalização, composto por membros do Ministério da Justiça, representantes da sociedade civil e agentes policiais, para monitorar a implementação das novas normas. O comitê se reunirá mensalmente e será responsável pela elaboração de relatórios analíticos sobre o cumprimento das diretrizes, bem como pela promoção de estudos técnicos sobre o uso da força.

Como parte das novas medidas, o Ministério da Justiça anunciou um investimento de mais de R$ 120 milhões na aquisição de armas não letais, como sprays de pimenta e armas de choque. Segundo o secretário Nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, a iniciativa tem como objetivo “proteger a vida dos policiais e da população”, minimizando os riscos de confrontos violentos.

Além disso, o Ministério da Justiça se comprometeu a oferecer 110 cursos de capacitação para profissionais da segurança pública até 2026. A capacitação será voltada para a melhoria das técnicas de abordagem, uso proporcional da força e respeito aos direitos humanos nas operações de segurança pública.

As novas normas têm como objetivo garantir que os agentes de segurança atuem com mais cautela e em conformidade com os direitos dos cidadãos. A medida busca reduzir a letalidade das operações de segurança, ao mesmo tempo em que melhora a preparação dos policiais para lidar com situações complexas e potencialmente violentas de maneira mais eficaz e com maior responsabilidade.

O Ministério da Justiça, em parceria com as polícias e a sociedade civil, espera que as novas portarias tragam um equilíbrio entre o combate ao crime e o respeito aos direitos humanos, evitando excessos e abusos durante as operações de segurança pública no Brasil.

Foto: Divulgação

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