Moradores da rua Fábio Lucena, no bairro Mauazinho, zona leste de Manaus, enfrentam uma situação dramática devido a uma erosão que está “engolindo” suas casas. Na madrugada deste domingo (12), duas residências desabaram, intensificando o desespero das famílias que vivem no local.
A Defesa Civil já interditou 14 imóveis na área, mas os moradores denunciam que a ajuda oferecida pela prefeitura é insuficiente. O auxílio aluguel de R$ 600 mal cobre o valor de um quitinete na região, onde os aluguéis chegam a R$ 700, sem contar as demais despesas.
“A gente construiu com tanto esforço, e hoje a gente perdeu tudo. Não só eu, como todas as famílias aqui, todo mundo construiu com trabalho”, desabafa uma moradora em lágrimas, amparada pelo filho.
Jonathan, morador local, relata que o problema é antigo e que todos os procedimentos junto aos órgãos competentes foram realizados. “A Defesa Civil veio aqui, enviou uma equipe, fez a parte dela. A Defesa Civil está passando para ACMIF, mas até o momento a gente não tem a devida resposta do Poder Público”, explica.
Os moradores também denunciam a falta de ação preventiva. Segundo eles, representantes da prefeitura afirmaram que só poderiam tomar providências após o desabamento das casas. Agora, com duas residências já colapsadas, a justificativa mudou: devido ao período de chuvas, não é possível utilizar maquinário no local.
A situação é ainda mais crítica para moradores como uma autônoma que, mesmo com a casa interditada, sequer recebe o auxílio aluguel e precisa arcar com R$ 800 mensais de aluguel em outro local. Durante a noite, os moradores que permanecem na área relatam ouvir estalos constantes, especialmente durante as chuvas, vivendo em constante estado de alerta.
As construções afetadas incluem imóveis de dois andares, evidenciando o investimento significativo feito pelos proprietários. Rachaduras são visíveis por toda parte, e a cerâmica das casas está se rompendo devido ao movimento do solo.
Com cartazes pedindo socorro ao prefeito David Almeida, atualmente em férias, e ao prefeito em exercício Renato Júnior, os moradores fazem um apelo por uma solução definitiva. “A gente só precisa de uma resposta do Poder Público. A gente está fazendo uma reivindicação aqui, em nome da comunidade do Mauazinho, do Beco da Fábio Lucena, que está desabando”, afirma um dos moradores.
A situação remete a uma tragédia ocorrida no ano anterior no bairro Jorge Teixeira, também em Manaus, onde um desabamento similar resultou em mortes. Os moradores temem que, sem uma ação efetiva das autoridades, uma nova tragédia possa ocorrer no Mauazinho.
A Defesa Civil está presente no local, mas seus representantes não foram autorizados a dar declarações à imprensa. Os moradores seguem aguardando uma resposta mais efetiva do poder público municipal para solucionar definitivamente o problema.
NOTA
Área de desabamento no Mauazinho já estava isolada e moradores recebem Auxílio-Moradia
A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), esclarece que as casas que desabaram no bairro Mauazinho, zona Leste, estavam localizadas em uma área previamente isolada, por apresentar risco iminente de deslizamento. A decisão de interditar o local foi tomada com base em laudos técnicos emitidos pela Defesa Civil do Município, visando garantir a segurança dos moradores.
Desde o início da operação de isolamento, todas as famílias residentes na área de risco foram cadastradas e começaram a receber o benefício do Auxílio-Moradia concedido pela Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), que assegura suporte financeiro para que possam residir em locais seguros. Até o momento, 100% das famílias identificadas no levantamento realizado pela prefeitura estão sendo acompanhadas e continuam recebendo suporte social e psicológico.
A prefeitura informa, também, que a equipe da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) trabalha em um estudo topográfico da área na elaboração de um projeto para conter a erosão. O Distrito de Obras executou inicialmente o desvio da rede de drenagem, para não ser despejada diretamente no talude.