Belém enfrenta desafios estruturais para sediar a COP30 e busca um legado duradouro

Cidade do Norte busca infraestrutura e legado sustentável para sediar a COP30 em 2025.
Redação Imediato Online
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A cidade de Belém, no Pará, está em plena transformação para sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), marcada para ocorrer de 10 a 21 de novembro de 2025. Com mais de 60 mil visitantes esperados, incluindo líderes mundiais, diplomatas e especialistas, a capital paraense enfrenta o desafio de expandir sua infraestrutura urbana e hoteleira para atender à demanda.

Expansão hoteleira

Atualmente, Belém conta com 18 mil leitos de hotel. Para receber a COP30, a cidade precisa mais que dobrar essa oferta, com a meta de alcançar entre 45 mil e 50 mil leitos. Novos hotéis de alto padrão estão em construção, incluindo empreendimentos financiados por grupos internacionais. Alternativas como hospedagem em transatlânticos, cadastramento de imóveis em plataformas como Airbnb e Booking, e a adaptação de escolas públicas como hostels temporários também estão sendo implementadas.

A taxa de ocupação hoteleira na cidade já reflete o impacto do evento, passando de 50% para 82% em 2024. Investimentos federais, estaduais e municipais totalizam bilhões de reais, incluindo isenções fiscais para modernizar a rede hoteleira e recursos para construção de um complexo administrativo que será utilizado como Vila Líderes durante a conferência.

Obras urbanísticas e mobilidade

Entre as obras estruturantes, destacam-se a construção do Parque da Cidade, que abrigará atividades principais da COP30, e intervenções para melhorar a mobilidade urbana, como o sistema BRT Metropolitano e a ampliação da Rua da Marinha. Apesar do otimismo, especialistas alertam para a falta de priorização do transporte público e o risco de remoções de famílias para abrir espaço a projetos imobiliários.

A professora Roberta Menezes Rodrigues, da Universidade Federal do Pará (UFPA), aponta que as intervenções podem beneficiar mais o mercado imobiliário do que a população em geral. Ela destaca, porém, que o evento representa uma oportunidade para melhorar a infraestrutura e a qualidade de vida na cidade.

Legado ambiental e protagonismo amazônico

A realização da COP30 em Belém marca a primeira vez que o evento ocorre na Amazônia, uma região central para as discussões climáticas globais. Para a professora Lise Vieira da Costa Tupiassu Merlin, também da UFPA, o evento oferece uma oportunidade para que a Amazônia assuma um papel de destaque na agenda ambiental, incorporando tanto o conhecimento científico quanto o saber ancestral local.

Entretanto, desafios permanecem, como os conflitos socioambientais no estado do Pará e a necessidade de integrar perspectivas de justiça climática nos debates. A professora reforça que o legado da COP30 dependerá de um esforço conjunto para transformar as oportunidades do evento em benefícios concretos e duradouros para a população.

Um marco de transformação

Belém vive um momento único de investimentos, reformas e visibilidade internacional. Enquanto as obras avançam, o desafio será equilibrar o legado físico, ambiental e social, garantindo que o desenvolvimento atenda não apenas aos visitantes da COP30, mas também à população que enfrenta déficits históricos de infraestrutura e qualidade de vida.

Foto: Internet

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