‘Mãe incitou população a matar homem que estuprou e matou filha de um ano em Jutaí’, delegada
Mãe incita linchamento após acusado de estupro e assassinato de criança em Jutaí, no Amazonas.
Redação Imediato Online
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A Polícia Civil do Amazonas apresentou nesta sexta-feira (22) os resultados de uma operação conduzida pela delegada Mariane Menezes, que culminou na prisão de quatro pessoas envolvidas no linchamento e assassinato de um homem acusado de estuprar e matar uma criança de apenas um ano de idade. O crime, ocorrido em Jutaí, chocou a cidade pela violência e pela revolta popular que desencadeou.
Após o acusado ser detido e levado à delegacia, moradores da cidade se reuniram em frente ao local, inflamados pela mãe da vítima. Segundo as investigações, o grupo arrombou a cela, retirou o homem com extrema violência, o espancou até a morte e, em seguida, ateou fogo em seu corpo. A cena, descrita como “um ato de barbárie”, incluiu ainda a destruição de uma motocicleta da Guarda Municipal.
A delegada Mariane Menezes destacou a gravidade dos atos:
“Entendemos a revolta da população, mas vivemos em um estado democrático de direito. Atos como esse não podem ser tolerados. A polícia não pode ser intimidada ou ameaçada.”
Entre os presos está a mãe da criança vítima do estupro. Segundo a delegada, ela desempenhou papel central na organização do linchamento, incitando a multidão e participando diretamente do homicídio. Ela foi indiciada por quatro crimes: homicídio, vilipêndio de cadáver, destruição de patrimônio público e resistência à prisão.
Além dela, três homens, todos com passagens pela polícia e envolvimento no narcotráfico, foram detidos. A delegada afirmou que cerca de 30 pessoas já foram identificadas e indiciadas, entre as centenas que participaram do ato.
As investigações continuam, e a polícia segue coletando provas e identificando outros envolvidos. Para a delegada, o caso serve de alerta sobre os perigos da justiça com as próprias mãos.
“Estamos aqui para proteger as pessoas de bem, mas é fundamental que isso seja feito dentro da lei e da ordem. A justiça não pode ser desrespeitada.”
A polícia reforçou a necessidade de respeito às instituições e ao devido processo legal, lembrando que a proteção à sociedade passa pelo fortalecimento das normas jurídicas e pela responsabilização de quem as infringe, independentemente da motivação.
O caso segue como um exemplo trágico do impacto da falta de confiança nas instituições e da escalada da violência quando o Estado de Direito é desconsiderado.