Nesta quarta-feira (31), o governo dos Estados Unidos criticou novamente a falta de transparência no processo eleitoral da Venezuela e exigiu a divulgação dos boletins de urna do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que declarou a vitória do presidente Nicolás Maduro.
O porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, reiterou a crítica ao afirmar que o Centro Carter e outros observadores independentes publicaram um relatório destacando que “a eleição presidencial de 2024 na Venezuela não atendeu aos padrões internacionais de integridade eleitoral e não pode ser considerada democrática”.
Kirby expressou “sérias preocupações” sobre relatos de violência, prisões e a emissão de mandados de prisão contra líderes da oposição por Maduro e seus representantes. Ele condenou a violência política e a repressão que marcam o cenário político venezuelano.
O Centro Carter, que acompanhou as eleições com 17 observadores, também listou uma série de problemas, incluindo:
- Registro de eleitores prejudicado por prazos curtos.
- Requisitos excessivos e arbitrários para eleitores no exterior, resultando em um baixo número de votantes fora da Venezuela.
- Condições desiguais de competição entre o presidente Maduro e o candidato da oposição, Edmundo González.
- Tentativas de restrição da campanha da oposição.
- Falta de transparência por parte do CNE no anúncio dos resultados.
Além disso, a Organização dos Estados Americanos (OEA) também se manifestou contra o reconhecimento dos resultados da eleição. O relatório da OEA apontou indícios de manipulação do resultado pelo governo de Maduro, destacando a demora na divulgação dos resultados e a existência de relatos de “ilegalidades, vícios e más práticas”. A OEA criticou a falta de transparência do CNE, que foi acusado de proclamar Maduro como vencedor sem apresentar os dados necessários para comprovar o resultado e de ter cometido “erros aritméticos” nos números divulgados oficialmente.