No ano passado, houve uma queda nos crimes contra o patrimônio, como roubos de veículos, mas um tipo específico continua em ascensão: o estelionato, especialmente no ambiente virtual. Esse crescimento foi destacado pelo Anuário da Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgado recentemente.
O total de casos de estelionato cresceu 8,2% no Brasil em relação a 2022, afetando quase dois milhões de pessoas. Esse aumento, sobretudo na modalidade online, é atribuído a fatores como a popularização do Pix, ferramenta do Banco Central para transações financeiras sem custo, e outros aplicativos bancários.
Os pesquisadores do Fórum observam que a tipificação específica de fraudes eletrônicas no Código Penal, implementada em 2021, contribuiu para a visibilidade desses crimes, que antes eram classificados de forma diferente.
Embora alguns estados ainda não façam distinção entre estelionato tradicional e virtual, São Paulo registrou o maior aumento no país, com um crescimento de 22,7%. Em contraste, o Amapá apresentou a maior queda, com redução de 16,8% nos casos de estelionato.
Os estelionatos virtuais muitas vezes estão conectados ao roubo e furto de celulares. No ano passado, quase um milhão de aparelhos foram subtraídos no Brasil, com iPhones sendo alvos preferenciais devido ao seu valor no mercado e ao perfil socioeconômico de seus proprietários.
Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ressaltou que o aumento dos estelionatos não é exclusivo do Brasil, ocorrendo em muitos países. Ele enfatizou a necessidade de melhorar as investigações e aumentar o foco na receptação, além de envolver o setor privado na proteção contra crimes cibernéticos.
Recentemente, casos como o golpe do Jogo do Tigrinho têm chamado atenção, onde criminosos exploram jogos virtuais populares para enganar usuários e obter dinheiro ilicitamente. Em São Paulo, mais de 500 boletins de ocorrência foram registrados para investigar esses tipos de golpe, destacando a complexidade e o desafio crescente da segurança digital.
Fonte: Estadão