Em conversa com nossa equipe o professor de direito internacional, Fernando Xavier, aponta possíveis estratégias que o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, pretende com a convocação da população para o referendo que acontece hoje, dia 3, no país vizinho.
“Eu acho que esse referendo tem um propósito mais político do que militar, porque com o alívio das sanções econômicas contra a Venezuela, o governo do Nicolas Maduro se comprometeu a adotar uma política mais transparente e viabilizar um processo eleitoral no ano que vem, aberto a monitoramento de observadores independentes. É provável que ano que vem, Maduro enfrentará sua primeira eleição séria”
O professor acredita que a oposição, ao presidente da Venezuela tem ganhado espaço e tem se fortalecido. Como a ex-deputada María Corina Machado, nome que ganha repercussão para uma possível oposição, representando uma forte ameaça, já que a aceitação de Maduro está baixa diante do público eleitoreiro e trazer um tema antigo e de interesse público, como a anexação de Essequibo à Venezuelana é uma estratégia para aproximar os eleitores e criar uma causa com a qual a população esteja a lado com o Governo.
Ao analisar o desenrolar dos processos jurídicos das negociações entre Guiana e Venezuela sobre o território requerido, Essequibo, Xavier afirma que é praticamente improvável que a situação possa evoluir para uma guerra ou conflito armado, e que a Venezuela está retomando o crescimento econômico, com o alívio das sansões impostas pelos Estados Unidos, após Maduro se comprometer em condições mais justas no pleito em 2024, sendo assim, não seria interessante para o país uma guerra nesse momento.
Fernando Xavier é formado em Direito e doutor em Relação Internacionais, atua como professor direito internacional na Universidade Federal e Universidade Estadual de Roraima