O governo argentino anunciou nesta quinta-feira (2) que vai adiar o aumento de imposto sobre os combustíveis previsto para novembro, como uma medida para conter a inflação e aliviar o bolso dos consumidores. A decisão foi tomada após uma reunião entre o presidente Alberto Fernández, o ministro da Economia Martín Guzmán e o secretário de Energia Darío Martínez.
O imposto sobre os combustíveis é atualizado trimestralmente de acordo com a variação do dólar e do preço internacional do petróleo. O último reajuste foi em agosto, quando o imposto subiu 6,7%. O próximo aumento estava previsto para 1º de novembro, mas foi postergado para 1º de dezembro.
Segundo o governo, a medida visa “proteger o poder aquisitivo da população e contribuir para reduzir as pressões inflacionárias”. A Argentina enfrenta uma crise econômica agravada pela pandemia de covid-19, com uma inflação acumulada de 32,3% até setembro e uma pobreza que afeta 42% da população.
O adiamento do aumento de imposto sobre os combustíveis também tem um componente político, já que o governo sofreu uma dura derrota nas eleições primárias de setembro e busca recuperar apoio para as eleições legislativas de novembro, nas quais pode perder a maioria no Congresso.
O setor de combustíveis, porém, criticou a medida e alertou que pode gerar desabastecimento e perda de investimentos. A Federação de Empresários de Combustíveis da República Argentina (FECRA) disse em um comunicado que o adiamento do aumento de imposto “é uma ingerência indevida do Estado na formação de preços” e que “afeta a rentabilidade das empresas e coloca em risco a sustentabilidade do sistema”.