Um ex-membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), conhecido como Frank, decidiu compartilhar detalhes sobre a facção criminosa em uma rede social, com o objetivo de alertar os jovens sobre os perigos do envolvimento com o crime. Suas postagens começaram a ganhar atenção, acumulando mais de 295 mil visualizações desde a primeira publicação realizada nesta segunda-feira.
Frank revelou que deixou o PCC após atuar como parte da “sintonia”, o setor que tomava decisões e dava ordens aos membros da facção. Sua saída o colocou sob ameaça constante, forçando-o a mudar de residência frequentemente e viver escondido. Ele explicou que seus vídeos são um ato desesperado, pois sente que sua vida está em risco e que não tem mais nada a perder.
O ex-integrante destacou que a realidade do PCC difere muito da imagem retratada em videoclipes de MCs e das narrativas policiais sobre a relação da facção com o tráfico de drogas. Segundo ele, o PCC tem influência até mesmo em políticos de nível municipal e estadual. Ele descreveu a facção como um “setor político” e destacou as pressões e o isolamento que enfrentou ao longo de sua “carreira” na organização.
Especialistas afirmam que a saída do PCC normalmente resulta em morte, mas Frank compartilhou que existem apenas duas maneiras de deixar a facção: ser diagnosticado com uma doença que o impeça de cumprir suas funções ou se converter à igreja. Emocionalmente, Frank enfatizou que um dia foi uma pessoa boa, mas se deixou corromper pelo caminho mais fácil e pela falta de orientação de seus pais.