MANAUS-AM| Otília Malalu, matriarca artesã , matriarca de uma família de 11 membross com uma história de sobrevivência, superação e persistência depois da expulsão de seu povo da comunidade São Francisco de Guayo, na Venezuela. Hoje, morando em Manaus, a protagonista, foi convidada pelos artistas indígenas de Manaus a expor suas obras na 1ª Mostra de Arte Indígena de Manaus – “Nosso Povo”, que está sendo realizada até o dia 29 deste mês, na galeria do Palácio Rio Branco, praça Dom Pedro II, centro histórico.
A mostra que reúne nove artistas indígenas das etnias kokama, dessana, tukano, mura e tikuna de comunidades residentes em Manaus, é realizada através do Conselho Municipal de Cultura (Concultura) e apoio da Fundação Municipal de Cultura e Turismo (Manauscult). Além da exposição com as obras de cada artista, uma websérie com minidocumentário conta as histórias dos artistas, com direção do produtor Walter Santos.
A artesã Waraó Otília Malalu, 62, chegou a Manaus pouco antes da pandemia de Covid 19, em 2019, e passou a fazer parte das estatísticas da migração junto com os 11 membros de sua família, e mais dezenas de indígenas de nove famílias que vieram juntos ganhar a vida.
O conjunto de trançado Waraó é feito com fibra de buriti, um vaso, um cesto, um paneiro e três suportes de pratos em palha clara com leves pontos de cor, com design simples. “Mas, traz consigo a luta de um povo pela sobrevivência identitária, de uma tradição passada de mãe para filha”, avalia a produtora da exposição Monik Ventilari.
Dados
Segundo dados da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) sobre a migração indígena da Venezuela desde 2016, em fevereiro de 2017 havia a presença de 117 indígenas eml Manaus, sendo 35 em situação de rua próximo à rodoviária; 43 em casas na zona Sul e 39 em hotéis precários no Centro. Foram registrados mais de 300 e o número passou de 500 no mês seguinte, chegando a 730 em outubro de 2019.
Dados do Serviço de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias do Coroado de 25 de janeiro de 2018 mostram que, entre os 551 waraos atendidos em Manaus, 319 retornaram à Venezuela, sendo mais da metade. Outra parte significativa, 175, foi para o Pará. Já o número dos que permanecem na cidade é de aproximadamente 139.
Por: Assessoria de Impresa