MANAUS-AM | Durante a manhã deste sábado (26/06), durante coletiva de imprensa, a delegada Joyce Coelho, titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), trouxe detalhes sobre a deflagração da operação “Anjo Diana”, que prendeu um homem que agrediu fisicamente a própria enteada, um bebê de 1 ano e 6 meses, que não resistiu aos ferimentos causados pela agressão e acabou morrendo. O crime ocorreu em março de 2019, no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus.
À época do fato, a mãe da criança alegou estar em um relacionamento de aproximadamente 1 ano com o homem. Ela teria duas filhas de uma relação anterior, sendo elas Diana (vítima), e uma outra criança de 6 anos. Segundo mãe, ela estaria trabalhando no terceiro turno, tendo a necessidade de deixar as filhas sob cuidados do companheiro, que na época tinha de 25 anos. O homem seria praticante do esporte de Artes Marciais Mistas, mais conhecida como MMA, e por isso se considerava autônomo.
Após o crime, ocorrido no dia 14 de março de 2019, o lutador chegou a se apresentar espontaneamente na DEPCA, na companhia de um advogado, alegando que, quando a mãe de Diana chegou e o flagrou batendo nas costas da menina, ela estaria engasgada, e que não teria cometido agressão. Após o fato, a vítima foi conduzida a uma unidade hospitalar e em seguida levada para o Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste/Joãozinho (HPSCZL) pela gravidade do estado de saúde.
“No dia 15 de março de 2019 recebemos a denúncia através do tio dessa criança, informando que ela estava internada no pronto-socorro Joãozinho, entubada e com sinais de morte cerebral. Ela apresentava diversos hematomas na face, pescoço e costas. Durante as investigações, entramos em contato com a perita legista de plantão, que atestou que aqueles hematomas eram decorrentes de agressões físicas”, explicou a titular da Depca.
Familiares da criança chegaram a mencionar que a vítima estava há alguns meses apresentando hematomas, e que isso poderia ser proveniente de alguma doença cardiovascular, Após exames de perícia, foi descartada qualquer suspeita de doença e confirmado, no exame de necropsia, que aqueles tipos de lesões eram decorrentes de agressões físicas realizadas em sequência. Muitas das lesões tinham sido causadas há muito tempo, o que levou a tipificar o caso como maus-tratos.
A versão contada pelo lutador é de que ele estaria dando comida para a criança e que ela teria se rasgado. Naquele momento, ela teria perdido a consciência, fato descartado pela perícia técnica e também pelo exame de necropsia, pois não tinha qualquer resto de comida, vestígios de água ou objetos que pudessem ter ocasionado o suposto engasgo. A causa da morte foi declarada como traumatismo craniano.
Conforme a delegada Joyce Coelho, a prisão ocorreu no município de Barreirinha (distante 331 quilômetros da capital). “O mandado de prisão preventiva foi expedido no dia 19 de março de 2019, um dia antes da criança vir a óbito, porém, o suspeito fugiu. Entramos em contato com policiais de Barreirinha, que foram incansáveis nessa procura. Localizamos o suspeito por volta das 17h. Ele estava escondido e vestindo roupas de outra pessoa”, relatou.
O preso irá responder pelo crime de maus-tratos com resultado morte. Ele será encaminhado para a Central de Recebimento e Triagem (CRT), onde ficará à disposição da Justiça.