Manaus amanheceu neste sábado (17) encoberta por uma intensa camada de fumaça, que reduziu a visibilidade em diferentes pontos da cidade e voltou a chamar a atenção para a qualidade do ar na capital amazonense. O cenário ocorre em meio à sequência de dias de poluição atmosférica associada às queimadas no Amazonas e em estados vizinhos.
Na sexta-feira (16), Manaus registrou a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras, segundo dados divulgados pela Agência Brasil. Por volta das 6h, a plataforma internacional IQAir apontou índice de qualidade do ar de 167, classificado como insalubre. O monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também indicou condições entre muito ruins e péssimas em diferentes áreas da cidade.
O boletim do Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM), publicado na sexta-feira, apontou que a capital chegava ao nono dia consecutivo sob influência de plumas de fumaça. Em algumas estações de monitoramento, as concentrações de partículas finas permaneciam na faixa considerada péssima.
Fumaça preocupa autoridades e ameaça a saúde
A fumaça proveniente de queimadas contém partículas poluentes que podem penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição pode provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse, falta de ar e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas estão entre os grupos que exigem maior atenção durante episódios de poluição intensa.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou nesta semana que o monitoramento da qualidade do ar em Manaus foi ampliado por meio de uma parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A iniciativa inclui estações que acompanham a concentração de partículas finas, conhecidas como PM2,5, associadas à fumaça de queimadas e incêndios florestais.
Queimadas no Amazonas e em estados vizinhos
De acordo com informações divulgadas pelas autoridades, a fumaça que atinge Manaus está relacionada a queimadas em municípios do interior do Amazonas e também em estados vizinhos, como Rondônia, Pará e Mato Grosso. As partículas podem ser transportadas pelo vento por longas distâncias e permanecer suspensas na atmosfera.
A falta de chuva em determinadas áreas também pode dificultar a dispersão dos poluentes e prolongar os episódios de má qualidade do ar.
Diante do cenário, a Prefeitura de Manaus anunciou a suspensão de atividades ao ar livre e em locais com aglomeração entre os dias 14 e 18 de outubro, incluindo atividades em parques municipais e eventos públicos. A medida foi adotada em razão das condições desfavoráveis registradas no monitoramento ambiental.
Recomendações à população
Durante períodos de fumaça intensa, a orientação é reduzir a exposição ao ar livre, evitar exercícios físicos em ambientes externos e manter portas e janelas fechadas quando a fumaça estiver mais concentrada. Pessoas que apresentarem falta de ar, dor no peito ou agravamento de sintomas respiratórios devem procurar atendimento médico.
A população também pode acompanhar os dados de monitoramento da qualidade do ar por meio das plataformas oficiais, como o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da UEA, e o MonitorAr, do Ministério do Meio Ambiente.
A situação deste sábado reforça a preocupação com os efeitos da fumaça sobre a saúde e a rotina dos moradores de Manaus, enquanto a capital continua sob influência da poluição provocada pelas queimadas.
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