O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu à Justiça Eleitoral a cassação do registro de candidatura de Dr. Furlan (PSD) ao governo do Amapá por supostos abusos de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação social.
A ação foi protocolada na quinta-feira (1º), no Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), a três dias do primeiro turno das eleições.
Segundo o MPE, Furlan seria o principal beneficiário de uma estrutura organizada para promover sua imagem e atacar adversários políticos. A investigação aponta a participação coordenada de agentes públicos, empresas de publicidade, operadores de comunicação digital e influenciadores.
Entre os adversários citados na ação estão o governador Clécio Luís (União Brasil), candidato à reeleição, e o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil).
Investigação da Polícia Federal
De acordo com o Ministério Público, a apuração teve origem em um inquérito da Polícia Federal, que teria identificado uma estrutura formada por núcleos político, estratégico-comunicacional, empresarial-financeiro e de difusão.
O MPE sustenta que contratos da Prefeitura de Macapá com empresas de comunicação teriam financiado parte das atividades. Páginas, portais e perfis que se apresentavam como independentes também teriam atuado de maneira coordenada para divulgar conteúdos favoráveis a Furlan e negativos aos adversários.
A ação ainda menciona o uso de conteúdos produzidos com inteligência artificial.
Caso a ação seja julgada procedente, o MPE pede a cassação do registro ou do diploma de Furlan, caso ele já tenha sido expedido. O órgão também solicita que o candidato seja declarado inelegível por oito anos, caso seja comprovada sua responsabilidade pessoal, participação ou anuência com a estrutura investigada.
A candidata a vice-governadora Luciana Gurgel (PL) também é investigada. Segundo o MPE, eventuais sanções individuais dependerão da comprovação da responsabilidade de cada integrante da chapa.
Furlan contesta acusação
Em nota, a assessoria de Dr. Furlan afirmou que recebeu a ação com “serenidade” e “estranheza”, principalmente por ter sido apresentada às vésperas do primeiro turno.
A defesa afirma que os fatos já teriam sido discutidos em um processo relacionado às eleições municipais de 2024 e questiona a utilização do depoimento de uma única pessoa como base da acusação.
Segundo a nota, o próprio texto do MPE utilizaria expressões como “em tese” e “possível”, o que, na avaliação da defesa, demonstraria que as acusações