O último debate entre os candidatos ao Governo do Pará antes do primeiro turno foi marcado por propostas para áreas consideradas estratégicas para o estado, mas também por uma sequência de ataques e acusações entre os participantes. Realizado pela TV Liberal na noite desta terça-feira (29), o encontro reuniu Hana Ghassan (MDB), Dr. Daniel Santos (Podemos) e Araceli Lemos (PSOL).
Um dos principais pontos de confronto foi a concessão dos serviços de água e esgoto para a empresa Águas do Pará. Dr. Daniel questionou Hana Ghassan sobre a manutenção do contrato e defendeu a revisão do modelo adotado pelo governo.
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Hana, por outro lado, afirmou que pretende fiscalizar a concessionária e cobrar o cumprimento das obrigações previstas.
“Não tenho compromisso nenhum com qualquer empresa”, afirmou a candidata.
Ela também declarou que poderá cassar o contrato caso a empresa não cumpra as exigências previstas.
Daniel contestou a justificativa de que a legislação federal teria obrigado o Estado a conceder os serviços. O candidato afirmou que a legislação estabelece metas de universalização, mas não determina que a operação seja transferida à iniciativa privada.
Em sua proposta, disse que pretende cancelar o contrato caso seja eleito: “Vou cassar o contrato”.
Araceli também criticou o modelo de concessões e privatizações. A candidata defendeu que o saneamento volte a ser tratado como serviço público e afirmou que pretende romper o contrato da Águas do Pará caso assuma o governo.
A saúde pública foi outro dos principais campos de disputa. A fila para consultas, exames e cirurgias entrou no centro do debate, com Hana defendendo uma ferramenta de transparência para que os pacientes possam acompanhar pela internet a posição na fila e o local onde serão atendidos. A proposta já havia sido apresentada pela candidata durante a campanha.
Daniel criticou o sistema de regulação e acusou o governo de utilizar politicamente o atendimento aos pacientes. Hana rebateu defendendo transparência e ampliação da estrutura hospitalar. Araceli também questionou a situação da saúde e levou para o debate problemas registrados na rede pública de Ananindeua durante a gestão de Daniel como prefeito.
Além das propostas, o confronto entre Hana e Daniel foi marcado por acusações envolvendo episódios anteriores da trajetória política dos dois. Hana questionou Daniel sobre sua relação política com Deivite Wener Araújo Galvão, conhecido como Gordo do Aurá, enquanto Daniel classificou a abordagem como um ataque pessoal e respondeu mencionando vínculos do grupo político da candidata com o episódio.
Outro momento de tensão ocorreu quando Hana questionou Daniel sobre acusações relacionadas à compra de um imóvel no Ceará. O candidato negou irregularidades e afirmou que seus bens foram adquiridos legalmente. “Tudo que eu tenho, eu trabalhei muito”, declarou.
Daniel também fez acusações contra aliados políticos de Hana e mencionou uma investigação envolvendo pessoas ligadas ao grupo da candidata. Ele citou a apreensão de R$ 5 milhões em dinheiro e levantou a hipótese de que os recursos poderiam estar relacionados à compra de votos. Hana negou irregularidades. As afirmações foram feitas durante o confronto e não devem ser tratadas como fatos comprovados sem a devida comprovação documental.
Nos temas ambientais, os candidatos apresentaram visões diferentes para conciliar preservação e desenvolvimento econômico. Daniel destacou regularização fundiária e segurança jurídica para produtores rurais. Hana defendeu o fortalecimento da fiscalização ambiental e da emissão de títulos de terra. Araceli apresentou uma proposta associando desenvolvimento econômico à preservação da floresta.
A infraestrutura também gerou divergências. Daniel e Araceli defenderam o fim dos pedágios nas rodovias estaduais, enquanto os candidatos apresentaram propostas diferentes para melhorar o escoamento da produção e a logística no Pará.
Na cultura, Araceli criticou o volume de recursos destinados ao setor e defendeu uma ampliação da participação do Estado no financiamento de projetos culturais.
“O valor aplicado para a cultura é uma vergonha”, afirmou.
Hana também defendeu mais investimentos e a ampliação das políticas culturais para o interior.
Ao final, os três candidatos voltaram a apresentar suas principais propostas. Daniel concentrou a fala em saúde, água e fim dos pedágios. Hana defendeu a continuidade de políticas implementadas pelo atual grupo político e apresentou propostas como novas Usinas da Paz, ampliação de estradas e o programa Recomeço. Araceli encerrou defendendo políticas sociais, ampliação da oferta de água e mudanças no modelo de privatizações e concessões.
A avaliação predominante nas reportagens publicadas após o confronto foi de que o debate expôs diferenças entre os projetos para áreas como saúde, saneamento, segurança, meio ambiente, cultura e infraestrutura, mas também mostrou que boa parte do tempo foi consumida por acusações, respostas indiretas e retomada de episódios já explorados durante a campanha.