Estudantes de instituições particulares de ensino superior de Belém estão sendo investigados pela Polícia Civil do Pará pela criação e circulação de um ranking com nomes e fotografias de mais de 60 mulheres, algumas delas menores de idade. Um dos estudantes envolvidos no caso seria aluno do curso de Medicina.
Segundo as informações apuradas, a relação teria sido criada e compartilhada entre estudantes em grupos virtuais e na plataforma Discord, contendo avaliações de cunho sexual sobre as mulheres. Entre as classificações utilizadas estaria o termo “casável”, acompanhado dos nomes e das fotografias das pessoas incluídas na suposta lista.
O caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil após um estudante registrar um Boletim de Ocorrência na Delegacia Virtual, na última quarta-feira (26), classificando inicialmente o caso como difamação. Pelo menos 15 vítimas estão prestando depoimentos à Polícia.
De acordo com o relato apresentado no BO, no dia 25 de junho um jovem participava de uma conversa com amigos na plataforma Discord quando teria tomado conhecimento da criação da lista. Entre as mulheres citadas estariam conhecidas de instituições de ensino superior e também estudantes de escolas de ensino médio.
Ainda segundo o boletim, o estudante afirmou ter advertido um dos integrantes do grupo sobre a gravidade da conduta e as possíveis consequências. Mesmo após o alerta, o suspeito teria criado uma nova lista.
No relato, o denunciante afirma que o estudante teria utilizado fotografias retiradas de perfis do Instagram de dezenas de mulheres para montar a relação. Posteriormente, ele teria percebido que duas primas também estavam entre as pessoas expostas.
Após identificar as imagens das familiares, o jovem voltou a questionar a situação e afirmou ter se sentido prejudicado no ambiente acadêmico. No Boletim de Ocorrência, ele declarou que passou a se sentir “injustamente ameaçado e discriminado”.
A Polícia Civil do Pará informou que o caso é investigado sob sigilo pela Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos (DECCC). As investigações devem esclarecer como a lista foi criada, quem participou de sua divulgação e se houve outros crimes relacionados à exposição das mulheres.