Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, morreu após ser submetida a uma série de procedimentos de cirurgia plástica em Belém. A jovem realizou a operação na sexta-feira (7), com intervenções que incluíram prótese mamária e mastopexia, abdominoplastia, lipoescultura e enxerto de glúteo.
Após a morte, familiares passaram a questionar a assistência prestada nas horas seguintes à cirurgia e pedem que as circunstâncias do caso sejam investigadas pelos órgãos competentes.
Segundo Ana Caroline Coelho, irmã de Giovanna, o procedimento havia sido planejado para durar cerca de dez horas, mas terminou aproximadamente quatro horas e meia depois de iniciado.
A família afirma que o cirurgião plástico André Santana Melo não teria permanecido no hospital após o procedimento e que também não teria acompanhado pessoalmente a paciente no quarto durante o período pós-operatório.
Família relata pedidos de socorro durante a madrugada
De acordo com o relato de Ana Caroline, Giovanna começou a apresentar problemas durante a madrugada e teria enviado mensagens e realizado ligações em busca de ajuda.
A irmã afirma que, naquele momento, o médico teria informado que compareceria ao local somente mais tarde. Segundo a família, André Santana Melo teria chegado quando Giovanna já recebia atendimento emergencial após sofrer uma primeira parada cardíaca.
Ainda conforme o relato dos familiares, depois desse atendimento, o médico e o anestesista teriam deixado o local, enquanto Giovanna permaneceu sob os cuidados da equipe responsável pela emergência.
O pai da jovem também afirmou que a filha passou a noite sentindo dores e apresentou complicações após a cirurgia. Em entrevista ao portal Estado do Pará Online, ele questionou a assistência recebida e afirmou suspeitar de negligência.
“Minha filha teve sérias complicações, dores, passou mal a noite toda e não houve sequer um enfermeiro, sequer o médico, que prestasse atenção, que prestasse socorro à minha filha”, afirmou.
O pai também fez um apelo pela responsabilização dos envolvidos e pela apuração do caso.
“Eu quero justiça, eu quero que a justiça seja feita. Eu peço o apoio de todas as autoridades para que esse caso seja elucidado e completamente resolvido, para que outras pessoas não passem por isso”.
Familiares dizem que precisaram buscar atendimento por conta própria
A família afirma que, diante do agravamento do quadro, precisou mobilizar uma equipe particular e solicitar exames particulares para auxiliar no atendimento da jovem.
Ana Caroline também afirma que os familiares não teriam recebido explicações do médico sobre a evolução do quadro clínico de Giovanna. Segundo ela, o cirurgião não teria procurado a família nem mesmo depois da morte.
“Ele nunca veio falar conosco, família. Nem para declarar óbito. Sumiu desde o momento que realizou a cirurgia. Nunca esclareceu nada”, afirmou a irmã.
Os familiares também questionam uma publicação atribuída ao médico nas redes sociais, na qual teria sido mostrado o resultado do procedimento. Segundo a família, o conteúdo foi posteriormente apagado.
Para os parentes, a investigação deve esclarecer não apenas as causas da morte, mas também como ocorreu o acompanhamento da paciente nas horas posteriores à cirurgia e quais procedimentos foram adotados diante dos primeiros sinais de complicação.
CRM-PA anuncia apuração do caso
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) informou, nesta segunda-feira (10), que tomou conhecimento do caso por meio das redes sociais.
Em nota, o conselho afirmou que irá instaurar procedimento apuratório para verificar as circunstâncias relacionadas à morte da paciente.
O CRM-PA também esclareceu que eventuais sindicâncias e processos ético-profissionais seguem em sigilo, conforme previsto no Código de Processo Ético-Profissional.
Médico afirma que causas da morte ainda precisam ser esclarecidas
Procurado sobre as acusações feitas pela família, o cirurgião plástico André Santana Melo lamentou a morte de Giovanna e afirmou que as circunstâncias do óbito ainda precisam passar por análise técnica.
Em nota enviada à imprensa, o médico declarou que não há, neste momento, elementos conclusivos para determinar a causa da morte ou atribuir responsabilidades. Ele também afirmou que irá apresentar documentos e prestar esclarecimentos às autoridades e aos órgãos responsáveis pela apuração.
O profissional disse ainda que, por respeito à paciente, à família e ao sigilo médico, não irá divulgar informações clínicas ou detalhes do atendimento:
“Lamento profundamente o falecimento de Giovana Coelho e manifesto minha solidariedade aos seus familiares e amigos neste momento de dor.”
“Diante da repercussão do caso, considero importante esclarecer que as circunstâncias relacionadas ao óbito ainda dependem de análise técnica adequada. Neste momento, não existem elementos conclusivos que permitam antecipar suas causas ou atribuir responsabilidades.”
“Todos os esclarecimentos necessários serão prestados às autoridades e aos órgãos competentes, com a apresentação das informações e dos documentos pertinentes, para que os fatos possam ser devidamente apurados.”
“Por respeito à paciente, à sua família e ao dever de sigilo médico, não tornarei públicas informações clínicas ou detalhes do atendimento.”
“Reitero meus sentimentos aos familiares e confio que o caso será esclarecido com a seriedade, a cautela e o rigor técnico que uma situação tão sensível exige.”
Família pede que caso seja esclarecido
Diante da morte de Giovanna, os familiares afirmam que pretendem buscar respostas sobre o atendimento prestado antes, durante e depois da cirurgia.
O pai da jovem reforçou o pedido para que as autoridades investiguem o caso e afirmou que decidiu tornar a história pública para buscar responsabilização, caso sejam identificadas irregularidades.
“Eu, como pai da Giovanna, exijo justiça. Peço o apoio de todas as autoridades para que esse caso seja elucidado e completamente resolvido, para que outras pessoas não passem por isso”.
Até o momento, o CRM-PA confirmou a abertura de procedimento apuratório. As causas da morte e eventual responsabilidade profissional deverão ser analisadas pelas autoridades e pelos órgãos competentes.