Este domingo o evangelho nos apresenta uma página de catequese. Não devemos ler este evangelho como uma crônica, mas sim como um conjunto de ensinamentos valiosos para nossa caminhada como Igreja.
Desde o começo, aparece Jesus que “manda” os discípulos ir para o outro lado do mar. Precisava ele mandar? Pelo jeito, precisava. De fato, após a multiplicação dos pães, começavam pensar que aquilo tivesse sido feito somente para eles, o povo eleito. Mas Jesus queria que sua Igreja levasse sua mensagem até outro lado do mar, a povos desconhecidos, que também tinha direito de conhecê-la. Este evangelho mostra que essa travessia nem sempre é tranquila. O ‘mar’, que nada mais era que o lago de Tiberíades, foi acometido por um forte vento contrário. O medo tomou conta do grupo, que custava a entender a demora do Mestre. Ele se encontrava em terra firme, rezando, em plena noite. Finalmente a chegada de Jesus aconteceu. Mas de forma inesperada: ele veio andando sobre a água. Pensaram fosse um fantasma e gritaram de medo. O próprio Jesus teve que acalma-los: “Coragem, sou eu, não tenhais medo”(v.27). Na época antiga, o mar era considerado lugar onde moravam monstros terríveis. A voz de Jesus deu coragem a Pedro, que quis imitar o Mestre andando sobre as águas. Ele conseguiu, porém no meio do caminho duvidou e começou a afundar. Jesus estendeu a mão e o tirou da água.
É a história da comunidade dos discípulos. Nem sempre é fácil sentir a presença de Jesus no meio deles. Às vezes confundimos o Mestre com um fantasma, como algo irreal. Jesus dá segurança à sua Igreja confirmando: “Sou eu, não tenhais medo”. Ao ser acolhido no barco, Jesus traz segurança, o vento se acalma, a viagem continua segura. Ao longo da história a Igreja encontrou muitos ventos contrários. Sentimos como Pedro o desejo de algo extraordinário, como andar sobre as águas, imitando Jesus. Muitas vezes Deus permite isso, mas a dúvida pode tirar nossa coragem.
Esta página é um convite a continuar nossa caminhada confiando na presença de Jesus vivo no meio de nós, nos deixando conduzir pela certeza de que nenhum vento forte pode derrubar nosso barco.