O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus convocou uma coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (5) para tratar do risco de uma nova paralisação do transporte coletivo na capital amazonense. A categoria exige a regularização e o pagamento pontual dos vencimentos até a próxima sexta-feira (7), data que marca o quinto dia útil do mês.
Durante o pronunciamento, o presidente do sindicato, Givancir Oliveira, adotou um tom duro ao criticar a postura do patronato e defender a dignidade dos trabalhadores. “Não sou homem de voltar atrás”, declarou o líder sindical, destacando o impacto financeiro direto nas famílias. Nas palavras da representação sindical, a indefinição sobre os vencimentos representa uma profunda “humilhação para o trabalhador e pai de família, que trabalha o dia inteiro e chega no final do mês sem receber nada”.
Além do salário da categoria, a pauta de cobrança inclui o pagamento mensal de R$ 1.300 relativo à cesta básica de cada rodoviário, item indispensável para o orçamento das famílias e que também enfrenta incerteza de repasse pelas concessionárias.
Givancir reforçou que as empresas e os órgãos competentes já foram notificados formalmente com dez dias de antecedência sobre o risco de colapso no sistema. Como medida imediata de pressão, o sindicato confirmou que entre 4h e 9h da manhã desta quinta-feira (6), apenas 70% da frota de ônibus estará em circulação nas ruas de Manaus, reduzindo a oferta de veículos no horário de maior movimento.
Segundo a direção da entidade, até o momento não houve qualquer sinalização por parte do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) garantindo o depósito dos salários e do benefício da cesta básica no prazo legal. Caso os valores não estejam nas contas até sexta-feira (7), a categoria promete cruzar os braços e iniciar uma greve geral por tempo indeterminado.
Clima de tensão após recente paralisação
A nova mobilização ocorre poucas semanas após uma greve de três dias realizada entre 20 e 22 de julho. Motivada justamente por atrasos nos pagamentos, a paralisação anterior comprometeu a mobilidade urbana da capital, com terminais lotados e frota reduzida por determinação judicial. O serviço só foi reestabelecido após negociações que forçaram o repasse dos valores devidos aos trabalhadores.
Impacto direto à população
A operação reduzida programada para as primeiras horas de quinta-feira (6) e o risco iminente de paralisação total no encerramento da semana voltam a assustar a população manauara. Se os salários e a cesta básica de R$ 1.300 não forem quitados dentro do prazo até a próxima sexta-feira, o sistema de transporte público de Manaus voltará a enfrentar um colapso, afetando diretamente trabalhadores, estudantes e demais usuários do serviço.