O conceito de mortes violentas intencionais (MVI) foi criado em 2009 pelo FBSP e reúne diferentes tipos de ocorrências letais, como homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais, tanto em serviço quanto fora. A proposta é oferecer uma visão mais ampla da violência letal no país.
As mortes violentas intencionais caíram 8,2% em todo o Brasil em 2025, atingindo o menor índice desde 2012, início da série histórica. Ao longo do ano, foram registrados 40.775 casos, ante 44.220 no período anterior. Apesar da redução, um em cada seis casos teve participação de policiais civis ou militares, indicador que segue em crescimento.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (23/7) e fazem parte da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Segundo o levantamento, o resultado de 2025 é o menor já registrado desde 2012, representando uma queda de 31% na comparação com o início da série histórica. A taxa nacional ficou em 19,1 mortes por 100 mil habitantes, mantendo trajetória de redução observada desde 2020.

Crimes diminuem em porcetagem
A diminuição foi impulsionada principalmente pela queda nos homicídios dolosos, que somaram 32.914 casos em 2025. Com isso, a taxa desse tipo de crime chegou a 15,4 por 100 mil habitantes, antecipando em dois anos a meta prevista para 2027 pela Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social.
Mesmo com a redução, os dados revelam desigualdades no perfil das vítimas. Em 2025, a maioria das pessoas assassinadas era composta por homens (90,8%), jovens de 18 a 29 anos (41,6%) e pessoas negras (79,7%). De acordo com o anuário, negros têm 3,5 vezes mais chances de serem vítimas de homicídio do que brancos.
O levantamento também aponta que, ao longo dos últimos 14 anos, o Brasil registrou 737.883 pessoas assassinadas. Entre os estados, o Amapá lidera o ranking de mortes violentas intencionais, com taxa de 42,5 por 100 mil habitantes. No recorte municipal, Maranguape aparece como a cidade mais violenta do país, com taxa de 100,3 por 100 mil habitantes. Já o Rio Grande do Norte apresentou o maior crescimento entre os estados, com aumento de 19,6% nas ocorrências.
Mortes por policiais
Outro dado que chama atenção é o avanço das mortes decorrentes de intervenções policiais. Em 2025, foram 6.602 registros desse tipo, contra 6.237 no ano anterior (2024), o que representa alta de 5,4%. Essas ocorrências já correspondem a 16,2% do total de mortes violentas no país, com média de 18 pessoas mortas por dia nessas circunstâncias.
Por outro lado, o número de policiais mortos apresentou queda de 3,5%, passando de 144 para 139 casos. Já os suicídios entre agentes de segurança cresceram 37,8% desde 2017.
Para a pesquisadora do FBSP Raquel Sousa, a redução dos homicídios é um dado positivo, mas deve ser analisado com cautela diante do aumento da letalidade policial. Segundo ela, o país ainda precisa avançar em mecanismos mais eficazes de controle do uso da força.
“A boa notícia sobre a antecipação da meta de redução de homicídios no Brasil precisa ser, infelizmente, relativizada. O país precisa encontrar mecanismos de controle do uso da força mais efetivos, já que tais dados mostram que o Estado, em suas múltiplas esferas e poderes, tem sido parte do problema e não apenas das soluções para a segurança pública brasileira”, afirmou.