O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) encerrou a atuação na ocorrência envolvendo o vazamento de estireno registrado na empresa Innova, no Distrito Industrial de Manaus. A decisão foi tomada após uma nova avaliação técnica confirmar que o tanque afetado permanece estabilizado e sem liberação de gases para o ambiente.
O encerramento da fase operacional ocorreu depois que as equipes constataram que não havia mais risco imediato relacionado ao reservatório onde estava armazenado o monômero de estireno, substância utilizada na produção de materiais como plásticos e borrachas sintéticas.
De acordo com o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, a última vistoria realizada no local confirmou que o cenário continua controlado.
“Realizamos uma nova inspeção e constatamos que o cenário permanece completamente controlado, sem emissão de gases para a atmosfera. Com isso, o Corpo de Bombeiros conclui a fase operacional da ocorrência”, informou.
Com a saída das equipes da operação, a responsabilidade pelos próximos procedimentos passa para a empresa, que deverá realizar a retirada do tanque atingido e o descarte adequado dos resíduos gerados durante a reação química. A previsão é de que esse trabalho seja realizado ao longo dos próximos meses.
O Governo do Amazonas informou que continuará acompanhando as medidas adotadas no local por meio dos órgãos responsáveis. O CBMAM seguirá disponível para atuar caso seja identificada alguma mudança no cenário.
Investigação sobre as causas continua
O vazamento foi registrado no dia 15 de julho, por volta das 17h36, na Unidade IV da Innova. Segundo a empresa, o problema ocorreu após uma alteração anormal de temperatura no reservatório que armazenava o monômero de estireno, sendo classificado como uma emergência química.
Durante os dias seguintes ao incidente, equipes dos bombeiros atuaram no controle da situação, realizando o resfriamento do tanque e o monitoramento da área para evitar novos riscos.
Após as primeiras avaliações, a corporação informou que não havia mais emissão da substância no entorno da fábrica. A partir disso, atividades industriais, serviços públicos e unidades de ensino que haviam sido suspensos preventivamente foram autorizados a retornar.
A perícia realizada pelo Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) também faz parte das investigações para identificar as causas do incidente.
Mais de 600 pessoas receberam atendimento
Após o vazamento, 648 pessoas procuraram atendimento médico por possível exposição ao estireno, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).
A maioria dos atendimentos envolveu trabalhadores que estavam em áreas próximas ao local no momento da ocorrência. Entre os sintomas relatados estavam problemas respiratórios, irritações na pele, dor de cabeça, tontura e náusea.
Do total de atendimentos registrados, 78% apresentaram sintomas respiratórios e 20% tiveram alterações na pele. A maior procura pelos serviços de saúde ocorreu nos dois dias seguintes ao vazamento.
A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) informou que não havia pacientes internados por sintomas relacionados à exposição ao produto. Dois óbitos ainda são investigados para verificar possível relação com o caso.
Empresa foi multada em mais de R$ 22 milhões
A Innova recebeu multas aplicadas por órgãos ambientais após o vazamento. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou uma penalidade de R$ 12,5 milhões por infração relacionada à poluição atmosférica.
A Prefeitura de Manaus também aplicou duas multas que, juntas, chegam a R$ 9,9 milhões, relacionadas a danos ambientais envolvendo ar, solo e corpo hídrico.
O caso segue acompanhado pelos órgãos competentes, enquanto a empresa trabalha na retirada da estrutura atingida e na conclusão dos procedimentos técnicos.