A mãe da paciente Alyssa Gabrielly Lemos Ferreira, de 21 anos, procurou a equipe de reportagem para denunciar negligência médica, falta de insumos hospitalares e episódios de transfobia durante o atendimento prestado no Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro, em Porto Velho.
Segundo Silvani Lemos, a filha deu entrada no Hospital João Paulo II no dia 8 de junho após apresentar complicações decorrentes da aplicação clandestina de silicone industrial na região dos glúteos, que evoluiu para um quadro de necrose.
Ainda conforme a família, a paciente sofreu um choque séptico, foi encaminhada para a Sala Vermelha e, posteriormente, internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após deixar a UTI, permaneceu por cerca de 15 dias no Hospital Samar, onde recebeu transfusões de sangue.
No dia 28 de junho, Alyssa foi transferida para o Hospital de Base, onde, segundo a mãe, permanece internada aguardando um procedimento cirúrgico na ala de cirurgia plástica. A família afirma que as lesões não permitem tratamento domiciliar.
Silvani também relata que precisou comprar, com recursos próprios, materiais como ataduras, bolsas de colostomia e outros insumos utilizados no tratamento. Ela afirma ainda que a filha estaria recebendo apenas medicação para alívio da dor (dipirona) e que o caso estaria sendo tratado de forma inadequada.
Em áudios enviados à reportagem, Alyssa relata fortes dores, chora e afirma ter sido vítima de maus-tratos e transfobia durante o período de internação.
Segundo a família, o quadro clínico da paciente se agravou, com avanço da necrose na região dos glúteos, enquanto ela continua aguardando a cirurgia.
Em nota de esclarecimentos a esta equipe de reportagem, a SESAU informou que:
Nota Oficial
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) esclarece que a paciente A. G. L. F. encontra-se atualmente sob acompanhamento de uma equipe médica especializada, distinta daquela que a atendia anteriormente.
A direção da unidade apurou as informações diretamente com a paciente e confirma que ela está sendo assistida por outra equipe médica especializada, recebendo toda a assistência necessária para a melhora do seu quadro clínico. Além disso, foi constatado que a mesma faz uso de três diferentes fármacos destinados ao controle da dor, conforme prescrição médica vigente.
A paciente também foi informada de que os encaminhamentos para outras especialidades, como a psiquiatria, integram o protocolo assistencial aplicado aos pacientes em regime permanente na clínica de cuidados intensivos, garantindo uma abordagem integral e multidisciplinar.
A Sesau reafirma que estão sendo adotadas todas as medidas necessárias para a adequada condução e resolução do caso, reiterando seu compromisso com a assistência contínua, a segurança do paciente e a promoção da qualidade do atendimento prestado.
Ressalta, ainda, que não compactua com quaisquer formas de discriminação, mantendo integralmente os princípios da universalidade, da equidade e da igualdade que regem o Sistema Único de Saúde (SUS), bem como o respeito aos direitos humanos.
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