A paciência de Deus

Quando o mundo parece enlouquecido por dar espaço a tudo o que não presta, a tentação do cristão é desejar que Deus intervenha pondo fim à ação perversa do joio.
Redação Imediato Online
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Mt 13,24-43

A parábola da boa semente e do joio, que Jesus nos oferece neste domingo, é a história do ser
humano que em continuação se encontra dividido entre o bem e o mal. Quando o mundo
parece enlouquecido por dar espaço a tudo o que não presta, a tentação do cristão é desejar
que Deus intervenha pondo fim à ação perversa do joio. “Queres que vamos arrancar o joio?”
(v.28). É a pergunta que os empregados dirigem ao dono da lavoura. Mas ele não autoriza que
eles arranquem o joio: “deixai crescer um e outro até a colheita” (v.30).

Qual é a mensagem que Jesus quer repassar para nós? A realidade do mundo (e a nossa
também!) é complexa. Fica impossível dividir o bem e o mal. Experimentamos na pele como a
semente boa e o joio crescem e grelam juntos no nosso coração. Tentar arrancar de vez o mal
pode causar estrago maior. Jesus sugere apostar na paciência de Deus, que faz parte da ação
de amor dele. Deus tem um respeito muito grande pela liberdade do ser humano. Não faz
parte do agir de Deus surpreender alguém na culpa. Ao contrário, o Pai prefere, como sugere a
parábola, aguardar, na espera que amadureça a conversão. Nossa natureza humana, ao
contrário, nos leva a sermos intolerantes, incapazes de aceitar os tempos diferentes que o
outro precisa para mudar. A exemplo de Jesus, precisamos aprender a não condenar os outros.

Imitar a paciência de Deus, quer dizer acreditar na força do amor. Neste esforço nos vem em
auxilio o próprio Espírito Santo que, como nos diz o apóstolo Paulo na carta aos Romanos, vem em socorro da nossa fraqueza (Rm 8,26). O Reino de Deus cresce não conforme os critérios humanos, mas sim com a força escondida como na semente. Uma força capaz de romper a crosta da terra para poder grelar e se desenvolver. A força do amor.

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